20/Jul/2026
A nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques realizados em 2024. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), quando considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores alcançados pela sobretaxa é reduzida para 15% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, correspondendo a cerca de US$ 5,8 bilhões. O governo federal informou que dará prioridade ao atendimento dos segmentos mais afetados pela medida, entre eles os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Entre as ações previstas está o apoio à diversificação dos mercados de destino das exportações, com o objetivo de reduzir a dependência do mercado norte-americano e mitigar os impactos sobre a atividade produtiva. O governo também classificou a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) como incompatível com os fundamentos do comércio bilateral e reiterou que avalia a adoção de medidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2025, que autoriza o Brasil a aplicar contramedidas comerciais em resposta a ações unilaterais que prejudiquem a competitividade nacional. A eventual implementação dessas medidas permanecerá sob avaliação do governo.
Ao divulgar a relação dos produtos sujeitos à tarifa, o USTR também publicou uma lista com mais de 2 mil itens da pauta exportadora brasileira que permanecerão isentos da sobretaxa. Entre os produtos excluídos da medida estão carne bovina, café e suco de laranja. Segundo o governo norte-americano, a exclusão desses itens busca evitar riscos de desabastecimento de matérias-primas e possíveis impactos sobre a economia doméstica dos Estados Unidos. O governo brasileiro reiterou que manterá as negociações com os Estados Unidos e informou que continuará buscando uma solução por meio do diálogo e dos mecanismos multilaterais de comércio.
Segundo a Integra Associados, a nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve atingir cerca de 31% das exportações destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a aproximadamente US$ 11,7 bilhões de um total de US$ 37,7 bilhões embarcados em 2025. A estimativa se baseia em documentos oficiais do governo norte-americano e dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O alcance da medida é limitado pela inclusão de cerca de 1.700 produtos na lista de exceções e pela existência de setores que já estavam submetidos a outras tarifas, como as aplicadas pela Seção 232, que abrangem aço, alumínio, cobre, automóveis e autopeças.
A maior concentração dos impactos está na indústria de transformação, responsável por 94,1% do valor das exportações brasileiras sujeitas à nova tarifa. Entre os segmentos mais expostos estão máquinas e equipamentos, produtos manufaturados de madeira, armamentos, motores e itens químicos. Diferentemente de medidas tarifárias anteriores, que tiveram maior impacto sobre produtos agropecuários e matérias-primas, a nova cobrança concentra-se em bens manufaturados de maior valor agregado e intensidade tecnológica. Cerca de 54% dos produtos afetados pertencem a segmentos classificados como de média-alta e alta tecnologia.
Em termos macroeconômicos, a Integra avalia que os efeitos sobre a economia brasileira tendem a ser restritos, considerando que os Estados Unidos representaram 10,8% das exportações brasileiras em 2025 e que o grau de abertura comercial do País permanece relativamente baixo, com a corrente de comércio equivalente a cerca de 27% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do impacto agregado limitado, empresas e cadeias produtivas com elevada dependência do mercado norte-americano podem enfrentar perdas relevantes, com redução de competitividade dos produtos brasileiros, pressão sobre receitas, margens e fluxo de caixa. São Paulo concentra o maior volume financeiro potencialmente afetado, com cerca de US$ 5,28 bilhões sujeitos à nova tarifa, equivalente a 39,8% das exportações estaduais para os Estados Unidos.
Os principais segmentos atingidos no Estado são máquinas e equipamentos, pneus, motores, especialmente elétricos, e produtos químicos. Santa Catarina aparece entre os Estados mais expostos, com impactos concentrados em manufaturas de madeira e motores, enquanto o Rio Grande do Sul apresenta maior vulnerabilidade em armamentos, produtos de madeira e calçados. Considerando a participação relativa das exportações tarifadas no total exportado por cada Unidade Federativa, Santa Catarina, Paraíba, Alagoas e São Paulo estão entre os Estados mais afetados. Importantes cadeias exportadoras brasileiras ficaram fora da nova medida, permanecendo isentos produtos como petróleo, café, carne bovina, celulose e suco de laranja. Ainda assim, eventuais reduções nos embarques aos Estados Unidos podem gerar efeitos indiretos sobre atividades ligadas à logística, transporte e operações portuárias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.