20/Jul/2026
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciará nos primeiros dias de agosto um plano de diversificação de mercados voltado aos produtos brasileiros afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. A iniciativa contará com orçamento de R$ 130 milhões e será desenvolvida em parceria com 57 entidades representativas do setor privado. O programa terá como objetivo ampliar a inserção internacional dos produtos brasileiros atingidos pela medida comercial, reduzindo a dependência do mercado norte-americano e ampliando oportunidades em outros destinos de exportação. A estratégia será estruturada de forma específica para os setores impactados pela nova tarifa. A medida adotada pelos Estados Unidos tende a produzir efeitos sobre a própria economia norte-americana, ao elevar custos de abastecimento e pressionar a inflação.
Diversos produtos brasileiros possuem elevada participação no fornecimento ao mercado dos Estados Unidos, dificultando sua substituição no curto prazo. Entre os exemplos citados estão o mel orgânico, do qual aproximadamente 85% das importações norte-americanas têm origem no Brasil, fator que contribuiu para sua exclusão da tarifa adicional. Também foram destacados o granito, responsável por cerca de 36% das importações norte-americanas do produto, e a madeira, cuja participação brasileira representa aproximadamente 30% das compras realizadas pelos Estados Unidos. Na proposta inicial apresentada pelo governo norte-americano, aproximadamente US$ 20 bilhões das exportações brasileiras permaneceriam isentos da tarifa. Após a divulgação da versão definitiva da medida, esse montante foi ampliado para cerca de US$ 23 bilhões em razão da ampliação da lista de produtos excluídos da sobretaxa.
A ApexBrasil manterá atuação conjunta com empresas e entidades brasileiras para ampliar a diversificação dos mercados de destino das exportações, ao mesmo tempo em que continuará trabalhando com empresas e organizações norte-americanas para buscar a ampliação da lista de produtos brasileiros isentos da tarifa adicional. o Brasil consolidou uma posição de maior estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais internacionais, ampliando oportunidades para diversificação das exportações diante da imposição da tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Desde 2023, foram abertos 651 mercados para produtos do agronegócio brasileiro, resultado que amplia as alternativas de acesso internacional e fortalece a estratégia de inserção comercial do País. O cenário global passou a oferecer novas oportunidades para as exportações brasileiras em razão da percepção de estabilidade institucional, capacidade de negociação e ampliação das relações comerciais.
Entre os avanços recentes estão a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia em 1º de março, a conclusão do acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) e o início das negociações comerciais com o Japão. A agência também observa aumento do interesse de países asiáticos em ampliar as relações comerciais com o Brasil. Diante da nova política tarifária adotada pelos Estados Unidos, a estratégia da ApexBrasil será intensificar a diversificação dos mercados de destino das exportações brasileiras, buscando ampliar a presença em países que ainda não importam determinados produtos nacionais. As ações de promoção comercial contemplarão todos os setores impactados pela tarifa adicional, incluindo aqueles já afetados anteriormente e os incorporados à medida mais recente.
Entre os segmentos com maior exposição à sobretaxa estão móveis, cosméticos, produtos plásticos, calçados, materiais elétricos e máquinas. A prioridade será apoiar os setores cuja perda de competitividade decorre especificamente das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros, diferenciando-os daqueles sujeitos a medidas tarifárias de caráter mais amplo. A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos não deverá interromper o fluxo comercial entre os dois países, embora tenda a provocar renegociações de contratos, redução da competitividade de determinados setores e impactos inflacionários sobre a economia norte-americana. Diversos produtos brasileiros possuem características específicas e elevada participação no abastecimento do mercado dos Estados Unidos, o que limita a capacidade de substituição imediata por fornecedores de outros países.
O governo brasileiro continua avaliando os efeitos da nova medida comercial sobre cada segmento exportador, considerando o diferencial de competitividade e a magnitude da tarifa incidente sobre os produtos. A análise busca identificar os setores em que a sobretaxa compromete a viabilidade econômica das exportações. Entre os casos mencionados está o segmento de pescados, que chegou a ser considerado fortemente impactado na proposta inicial, mas acabou incluído na relação final de produtos isentos. As negociações com o setor privado brasileiro e com empresas e entidades norte-americanas continuarão, mantendo aberta a possibilidade de ampliação das exceções e de novos entendimentos comerciais. O principal risco para o comércio bilateral não está apenas na redução temporária das exportações, mas na eventual substituição definitiva de fornecedores brasileiros por empresas de outros países. A perda dessas relações comerciais tende a produzir efeitos mais duradouros, uma vez que a reconstrução de mercados e de parcerias comerciais exige longo período de consolidação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.