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17/Jul/2026

Dólar sobe com aversão ao risco global e tarifaço

O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (16/07) em alta de 0,40% frente ao Real, cotado a R$ 5,09, após oscilar próximo da marca de R$ 5,10 ao longo do pregão. O movimento refletiu a maior aversão ao risco nos mercados internacionais, com preocupações envolvendo o setor de inteligência artificial, incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e fortalecimento global da moeda norte-americana. O ambiente externo desfavorável às moedas emergentes foi acompanhado pelo desconforto dos investidores com a confirmação da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar da ampla lista de exceções e das avaliações de que o impacto econômico direto pode ser limitado, a medida elevou a percepção de risco político e comercial. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, avançou cerca de 0,25%, próximo de 100,700 pontos.

Indicadores de atividade econômica dos Estados Unidos, incluindo dados de vendas no varejo, e declarações mais firmes de dirigentes do Federal Reserve (Fed) contribuíram para a valorização da moeda norte-americana. Com máxima de R$ 5,11, o dólar acumula queda de 0,18% na semana e recuo de 1,24% em julho. No acumulado de 2026, a moeda registra desvalorização de 7,11% frente ao Real. Analistas avaliam que o impacto direto do tarifaço sobre o câmbio foi limitado, uma vez que a medida já era esperada pelo mercado e parte dos efeitos já estaria incorporada aos preços dos ativos. O movimento de alta do dólar teria sido mais influenciado pelo cenário internacional de redução da exposição ao risco. O mercado também acompanhou os desdobramentos políticos internos relacionados à nova tarifa norte-americana e às discussões sobre uma possível utilização da Lei de Reciprocidade pelo governo brasileiro. A avaliação predominante é de que o câmbio permanece mais sensível aos fatores externos, especialmente às tensões geopolíticas no Oriente Médio e aos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz.

No mercado de energia, os preços do petróleo oscilaram em faixa estreita apesar da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, com novos ataques norte-americanos e ameaças de grupos Houthis contra infraestrutura estratégica no Oriente Médio. O contrato futuro do Brent para setembro recuou 0,85%, para US$ 84,23 por barril. A valorização recente do petróleo segue favorecendo o Real por meio da melhora dos termos de troca e do suporte ao fluxo financeiro associado ao diferencial de juros. Entretanto, a possibilidade de redução do diferencial entre as taxas brasileiras e norte-americanas limita uma expectativa de valorização mais intensa da moeda brasileira. O cenário para o câmbio permanece condicionado à evolução das tensões geopolíticas, ao comportamento dos juros internacionais e aos próximos desdobramentos comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.