17/Jul/2026
As projeções climáticas indicam elevada probabilidade de o fenômeno El Niño 2026/2027 atingir intensidade muito forte nos próximos meses, elevando os riscos de alterações significativas nos padrões climáticos globais. De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), existe 81% de probabilidade de que o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico alcance a categoria máxima de intensidade até setembro. O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e ocorre, em média, entre intervalos de dois e sete anos, com duração aproximada de 12 meses. O fenômeno normalmente provoca aumento da temperatura média global e modifica os regimes de chuva em diversas regiões do planeta. A classificação de Super El Niño é utilizada quando a anomalia da temperatura da superfície do mar supera 2°C em relação à média histórica.
Estudos climáticos indicam que a redução do intervalo entre eventos extremos está associada ao aquecimento dos oceanos decorrente das mudanças climáticas. As projeções para 2026/2027 apontam um cenário potencialmente mais intenso que os principais eventos registrados nas últimas décadas. Segundo análises da MetSul Meteorologia, os modelos climáticos de julho projetam anomalias entre +3°C e +4°C no Pacífico Equatorial durante o último trimestre do ano, patamar superior ao observado na série histórica dos últimos 150 anos. A própria NOAA passou a ampliar a escala de seus gráficos de previsão para acomodar projeções de aquecimento consideradas sem precedentes. Historicamente, o maior aquecimento registrado pela NOAA ocorreu durante o El Niño de 2015/2016, quando a anomalia semanal atingiu +3°C. O segundo maior valor foi observado no evento de 1982/1983, com +2,6°C.
O episódio de 1997/1998, embora tenha alcançado anomalia máxima de +2,3°C, ficou marcado pelos elevados impactos climáticos em diversas regiões do mundo. O El Niño de 2023/2024 registrou pico de +2,1°C, permanecendo entre os eventos mais intensos da série histórica. No Brasil, as projeções oficiais indicam maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e precipitações abaixo da média nas áreas centrais e no Norte do País. Também são esperadas temperaturas acima da média em grande parte do território nacional durante o segundo semestre, aumentando o risco de ondas de calor, estiagens e incêndios florestais. Apesar da intensidade prevista, especialistas destacam que não existe relação direta entre a magnitude do aquecimento do Pacífico e a severidade dos impactos climáticos observados no Brasil.
Eventos de forte intensidade produziram efeitos distintos ao longo das últimas décadas, tanto na distribuição das chuvas quanto na ocorrência de secas e enchentes. Da mesma forma, episódios classificados como moderados também estiveram associados a eventos extremos de grande impacto. Como exemplo, o El Niño de 2023/2024, embora inferior aos maiores registros históricos em intensidade, esteve associado às enchentes recordes no Rio Grande do Sul. Paralelamente ao monitoramento climático, pesquisadores avaliam alternativas experimentais para reduzir a intensidade de futuros eventos de El Niño. Um estudo publicado na revista Science Advances investigou, por meio de simulações computacionais, a utilização da técnica de clareamento de nuvens marinhas, modalidade de geoengenharia solar baseada na dispersão de partículas de sal para aumentar a refletividade das nuvens e reduzir o aquecimento do oceano.
As simulações indicaram que a aplicação antecipada da técnica poderia reduzir a intensidade de eventos semelhantes aos de 1997/1998 e 2015/2016, desde que iniciada ainda na fase inicial de formação do El Niño e mantida por período prolongado. Os pesquisadores observaram que intervenções realizadas apenas durante o pico do fenômeno apresentaram eficácia bastante limitada. Apesar dos resultados promissores em ambiente de modelagem, a tecnologia permanece em estágio experimental, sem aplicação prática, e continua cercada por debates científicos e ambientais sobre os riscos e implicações da geoengenharia climática. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.