17/Jul/2026
Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a sobretaxa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras poderá atingir produtos que somaram US$ 14,33 bilhões em exportações do Brasil para o mercado norte-americano em 2025. O impacto tarifário potencial é estimado em US$ 3,58 bilhões, considerando a incidência da nova alíquota sobre os produtos não incluídos na lista de exceções definida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A análise foi elaborada após a confirmação da aplicação da tarifa adicional de 25% no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. A medida entra em vigor em 22 de julho e alcança produtos brasileiros que ficaram fora da relação final de exceções, embora a lista de isenções tenha sido ampliada em relação à proposta preliminar divulgada em junho.
No agronegócio brasileiro, 32,7% das exportações destinadas aos Estados Unidos permaneceram sujeitas à sobretaxa, envolvendo US$ 3,74 bilhões em vendas externas. O impacto tarifário potencial para o setor é estimado em US$ 934 milhões. O Rio Grande do Sul apresenta maior vulnerabilidade proporcional à medida. Segundo o levantamento, 79% das exportações gaúchas para os Estados Unidos, equivalentes a US$ 1,30 bilhão, permanecem expostas à tarifa adicional, com impacto potencial de US$ 325 milhões. No agronegócio estadual, 70,4% da pauta destinada ao mercado norte-americano está incluída na medida, totalizando US$ 541 milhões e potencial impacto de US$ 135 milhões. Entre os produtos do agronegócio brasileiro com maior exposição estão o sebo bovino, com exportações de US$ 416 milhões em 2025 e impacto tarifário potencial de US$ 104 milhões, além de obras de marcenaria e carpintaria de madeira, madeira perfilada de coníferas, madeira compensada e madeira serrada de pinus.
No Rio Grande do Sul, a maior concentração de risco está nos embarques de fumo não manufaturado do tipo Virgínia, madeira serrada de pinus, calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino. Os cinco principais produtos representam cerca de 64% da exposição do agronegócio do Rio Grande do Sul à nova tarifa norte-americana. A medida não alcança toda a pauta exportadora brasileira. Permaneceram fora da sobretaxa produtos como ferro-gusa, determinados itens de madeira, hidróxido de alumínio, couros bovinos, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor, sucata de ferro e aço e alguns produtos farmacêuticos. A Farsul ressalta, entretanto, que o cruzamento dos códigos tarifários foi realizado no nível HS6, metodologia que pode gerar superestimação de algumas exceções, devido às limitações específicas de classificação ou utilização dos produtos.
A ampliação da lista de exceções reduziu parcialmente o alcance da medida. Na versão preliminar divulgada em junho, 43,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos seriam atingidas pela tarifa adicional. Com a decisão final, esse percentual caiu para 38%. No agronegócio, a parcela afetada recuou de 36,8% para 32,7%. Apesar da redução do impacto potencial, a Farsul avalia que o Rio Grande do Sul permanece como o Estado brasileiro mais exposto ao tarifaço, em razão da concentração das exportações em produtos como fumo, madeira, calçados de couro e sebo bovino. Os efeitos econômicos podem ocorrer por diferentes canais, incluindo redução de margens, perda de competitividade, diminuição dos volumes exportados ou redirecionamento das vendas para outros mercados. Dessa forma, o impacto efetivo não necessariamente corresponderá ao valor integral da tarifa aplicada.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, medida adotada no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, iniciada em julho de 2025. A entidade defende que a resposta brasileira seja baseada em negociação bilateral permanente e técnica, evitando uma escalada de medidas retaliatórias entre os dois países. O agronegócio brasileiro atende rigorosamente aos requisitos sanitários, ambientais e regulatórios exigidos pelos mercados internacionais, mantendo investimentos em rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade para preservar sua posição como fornecedor confiável no comércio global. Os produtores rurais não participam das decisões de política comercial adotadas pelo governo norte-americano, mas acabam sendo diretamente impactados pelas medidas unilaterais.
Nesse contexto, a condução das relações comerciais deve ocorrer por meio de diplomacia técnica e contínua, preservando a previsibilidade e os canais institucionais de diálogo entre Brasil e Estados Unidos. A Faesp recomenda que o governo brasileiro priorize negociações diretas com a administração norte-americana para buscar uma solução para as divergências regulatórias e tarifárias. A entidade também ressalta a importância de preservar setores estratégicos da pauta exportadora brasileira e considera positiva a manutenção do café e da carne entre os produtos excluídos da nova lista de sobretaxas anunciada pelos Estados Unidos. Respostas baseadas em retaliações comerciais tendem a ampliar a carga tributária incidente sobre o comércio bilateral, aumentar a insegurança jurídica e elevar os custos para o setor agropecuário. A entidade observa ainda que o USTR sinalizou disposição para manter as negociações caso o Brasil evite a adoção de medidas de contra-ataque comercial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.