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17/Jul/2026

Tarifa dos EUA deve ter impacto limitado no Brasil

A confirmação, pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), da aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo mercado norte-americano tende a produzir impactos mais moderados sobre as exportações brasileiras e sobre a inflação doméstica em comparação com o primeiro pacote tarifário implementado um ano antes. A avaliação considera que produtores e exportadores já incorporavam o risco de novas restrições comerciais em seus planejamentos para 2026, reduzindo o potencial de ajustes abruptos na oferta. No episódio anterior, a imposição das tarifas teve efeito inicialmente desinflacionário no mercado interno, uma vez que parte da produção originalmente destinada às exportações foi redirecionada ao mercado doméstico, ampliando a oferta de diversos produtos durante o segundo semestre.

No cenário atual, a expectativa é de que esse movimento seja menos intenso, uma vez que a produção já teria sido ajustada diante da possibilidade de renovação das medidas tarifárias pelos Estados Unidos. O impacto sobre as exportações brasileiras também tende a ser parcialmente mitigado pela expectativa de ampliação das listas de exceções à tarifa. Diversos setores defendem a exclusão de produtos da sobretaxa, incluindo o açúcar. A expectativa de representantes do governo federal e da iniciativa privada é de que permaneçam isentos produtos agropecuários, aeronaves e componentes aeronáuticos, fertilizantes, minerais críticos e estratégicos e insumos industriais relevantes, além da possível inclusão de novos itens entre as exceções, como calçados, café solúvel e insumos industriais, especialmente da cadeia de máquinas e equipamentos.

O USTR informou que a relação definitiva dos produtos abrangidos pela nova tarifa será divulgada posteriormente. Até a divulgação da lista oficial, permanecem incertezas quanto ao alcance efetivo da medida e aos setores que poderão ser diretamente impactados. A limitada participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira também reduz o potencial de impacto macroeconômico da medida. Nos últimos anos, a China consolidou-se como principal destino das exportações brasileiras, diminuindo a dependência relativa do mercado norte-americano. Esse fator contribui para amortecer os efeitos sobre a atividade econômica, mesmo diante de eventual redução das vendas aos Estados Unidos. As estimativas indicam que o primeiro ciclo de tarifas reduziu em aproximadamente 0,5% o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo semestre do ano anterior.

Para o novo pacote tarifário, a expectativa é de um impacto econômico inferior ao observado anteriormente, em função da adaptação prévia dos agentes econômicos e da possibilidade de ampliação das isenções. Além dos efeitos econômicos, a nova rodada de tarifas amplia o ambiente de incerteza para os mercados financeiros, especialmente em um contexto de aproximação do calendário eleitoral brasileiro. A medida pode influenciar as expectativas dos agentes econômicos quanto ao ambiente político e comercial, tornando a divulgação da lista definitiva de produtos tarifados e a definição das eventuais exceções fatores relevantes para a avaliação dos impactos sobre o comércio exterior brasileiro. Assim, a ampla lista de isenções da nova tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, aplicada no âmbito da Seção 301, reduz os impactos esperados sobre empresas exportadoras listadas na B3.

Entre os produtos excluídos da medida estão celulose, petróleo bruto, gás natural, aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais. A decisão não altera, entretanto, o cenário para o setor siderúrgico. As exportações brasileiras de aço continuam submetidas à tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos desde junho de 2025, mesma alíquota válida para a maior parte dos países, com exceção do Reino Unido. Entre as principais commodities exportadas por companhias brasileiras listadas na bolsa, o papel permanece incluído na lista de produtos sujeitos à nova tarifa. Apesar disso, analistas avaliam que os efeitos sobre empresas como Suzano e Klabin tendem a ser limitados, considerando a exposição relativamente reduzida ao mercado norte-americano nos segmentos afetados.

No caso da Klabin, empresa com maior participação de papel em sua estrutura de negócios, a celulose representa aproximadamente 40% da operação. A exposição aos Estados Unidos é estimada entre 2% e 3% da receita da companhia, com maior concentração no mercado brasileiro para o segmento de papel. Para a Suzano e a Klabin, a maior exposição aos Estados Unidos ocorre justamente no segmento de celulose, que permaneceu fora da lista de produtos tarifados. Dessa forma, o impacto direto da nova medida sobre as companhias deve ser restrito. No setor de aviação, a Embraer também permaneceu entre os produtos isentos da nova tarifa. A fabricante brasileira havia sido afetada por medidas anteriores dos Estados Unidos, quando uma tarifa de 10% anunciada em abril de 2025 para o segmento posteriormente chegou a 50%.

As negociações conduzidas ao longo do período resultaram na redução da tarifa para 10% e posterior eliminação da cobrança. A Embraer informou que havia desembolsado aproximadamente US$ 80 milhões em tarifas de exportação para os Estados Unidos, sendo cerca de 85% desse valor relacionado à divisão de aviação executiva. As cobranças foram interrompidas no fim de fevereiro de 2026, embora tenham influenciado os resultados da companhia no primeiro trimestre de 2026. A retirada das tarifas sobre o setor aeronáutico beneficia a Embraer e também fornecedores norte-americanos integrados à cadeia produtiva da empresa. Aproximadamente metade dos componentes utilizados nas aeronaves da fabricante é fornecida por empresas dos Estados Unidos, o que reforça a interdependência entre as duas cadeias industriais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.