17/Jul/2026
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo os calçados. A medida reduz significativamente a competitividade da indústria nacional no mercado norte-americano e compromete a recuperação das exportações para aquele destino. Em função da nova tarifa, a Abicalçados revisou para baixo sua projeção para as exportações brasileiras de calçados em 2026. A estimativa passou a indicar retração média de 7,1% nos embarques, representando deterioração de 3,5% em relação à projeção anterior, que previa queda de 3,6%.
A medida foi adotada pelo governo dos Estados Unidos no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O setor calçadista brasileiro não foi incluído entre os produtos contemplados pela lista de exceções divulgada pelas autoridades dos Estados Unidos. A aplicação da tarifa adicional compromete a competitividade do calçado brasileiro no mercado norte-americano e reduz a viabilidade econômica de diversas operações comerciais que vinham sendo retomadas após o encerramento da tarifa adicional de 40%, em fevereiro de 2026. Os impactos da medida não se restringem aos fabricantes brasileiros, atingindo também importadores, marcas, varejistas e consumidores dos Estados Unidos.
A entidade participou das discussões conduzidas pelo USTR, atuando em articulação com o governo federal e com entidades representativas do setor nos Estados Unidos. A Abicalçados também participou da audiência pública promovida pelo órgão em 7 de julho, em Washington, apresentando argumentos técnicos sobre os impactos econômicos da aplicação das tarifas. O mercado norte-americano consome mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano, enquanto a produção doméstica dos Estados Unidos é de aproximadamente 20 milhões de pares, evidenciando a elevada dependência do país em relação às importações para abastecimento do mercado consumidor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.