17/Jul/2026
O desempenho da balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2026 levou à revisão das projeções para o superávit comercial do ano. Entre janeiro e junho, o saldo positivo alcançou US$ 42,3 bilhões, configurando o segundo melhor resultado da série histórica para o período. Diante desse desempenho, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) elevou sua estimativa de superávit para 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Caso essa projeção se confirme, o País registrará o segundo maior superávit comercial de sua história, atrás apenas dos quase US$ 99 bilhões alcançados em 2023.
As perspectivas também foram revisadas pelo setor privado. O Itaú aumentou sua estimativa para o saldo comercial de US$ 75 bilhões para US$ 80 bilhões, sustentado pela expectativa de manutenção das exportações em níveis recordes ao longo do ano. Entre os fatores que motivaram a revisão destaca-se a mudança nas projeções para o mercado internacional de petróleo. A estimativa para o preço do barril ao final de 2026 passou de US$ 65 para US$ 80, refletindo o aumento das tensões geopolíticas e contribuindo para elevar o valor das exportações brasileiras. A China permanece como principal destino das exportações nacionais e principal fator de sustentação da balança comercial.
No primeiro semestre, a China respondeu por 31,6% das vendas externas brasileiras, enquanto a participação dos Estados Unidos recuou para 9,4%, o menor nível da série histórica do MDIC. Indicadores de volume exportado também reforçam essa tendência. Considerando a média móvel dos três meses encerrados em maio, as exportações brasileiras para a China cresceram 9% em volume, após registrarem expansão ainda mais intensa anteriormente. No mesmo período, houve retração de 16% nas exportações destinadas aos Estados Unidos, queda de 4,5% para a União Europeia e redução de 17% nos embarques para a Argentina.
Em sentido oposto, as vendas para o México avançaram 7%, para a América Latina, excluindo o México, cresceram 15%, e para os demais países da Ásia, desconsiderando a China, aumentaram 14%, evidenciando maior diversificação dos mercados compradores. Em relação às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a expectativa predominante é de impacto limitado sobre o desempenho geral da balança comercial. A avaliação considera que a elevada participação da China nas exportações brasileiras e a diversificação dos mercados internacionais reduzem a dependência do mercado norte-americano.
Além disso, parte das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das medidas poderá ser objeto de negociação bilateral. O governo norte-americano confirmou, na quarta-feira (15/07), a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que deverá ser detalhada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A iniciativa foi fundamentada na alegação de que atos, políticas e práticas adotados pelo Brasil restringem ou oneram o comércio dos Estados Unidos. Paralelamente, permanece em análise uma investigação que poderá resultar na aplicação de tarifa adicional de 12,5% relacionada a questões de trabalho forçado, procedimento que também envolve outros países. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.