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16/Jul/2026

Dólar estável com eleição e tarifas dos EUA no radar

O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (15/07) praticamente estável ante o Real, cotado a R$ 5,07, com alta de 0,01%. A moeda norte-americana operou próxima da estabilidade, mesmo diante do ambiente externo favorável às divisas emergentes, após dados de inflação mais benignos nos Estados Unidos reforçarem a expectativa de menor pressão sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). O movimento global de enfraquecimento do dólar, iniciado após a divulgação de deflação ao consumidor nos Estados Unidos em junho e reforçado pelo recuo do índice de preços ao produtor (PPI), teve impacto limitado sobre o Real.

A moeda brasileira perdeu força diante da elevação dos prêmios de risco domésticos, associados ao cenário eleitoral e à expectativa de confirmação de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. A possibilidade de aplicação de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil, ainda com previsão de uma lista ampliada de exceções, permaneceu no radar dos investidores e restringiu a valorização do Real. O mercado também acompanhou a ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais, movimento interpretado como fator de cautela diante da perspectiva de continuidade da atual política fiscal. Apesar da acomodação no pregão, o dólar acumula queda de 0,59% na semana e recuo de 1,64% em julho, após avanço de 2,38% em junho.

Em 2026, a moeda norte-americana acumula desvalorização de 7,48% frente ao Real, que apresenta um dos melhores desempenhos entre as principais moedas globais no período. O Real continua sustentado por fatores como o diferencial de juros elevado e a valorização das commodities, especialmente o petróleo. O ambiente externo mais favorável aos mercados emergentes, porém, ainda não se refletiu integralmente na moeda brasileira em razão das incertezas relacionadas ao cenário político e comercial. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava cerca de 0,40% no fim da tarde, aos 100,526 pontos.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos também recuaram após os indicadores de inflação reforçarem a percepção de menor necessidade de aperto monetário adicional pelo Fed. O PPI norte-americano caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas do mercado, enquanto o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis, avançou 0,2%, abaixo das projeções. Os dados vieram após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI), que mostrou deflação acima do esperado no mesmo período. As sinalizações do presidente do Fed, Kevin Warsh, sobre o compromisso da instituição com a estabilidade de preços tiveram impacto limitado sobre o câmbio. O mercado avalia que os indicadores recentes reduzem a pressão para elevação dos juros no curto prazo, especialmente na reunião do fim de julho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.