16/Jul/2026
A inadimplência no agronegócio brasileiro atingiu 8,8% da população rural no primeiro trimestre de 2026, o maior nível da série histórica trimestral da Serasa Experian. O indicador avançou 0,6% em relação ao quarto trimestre de 2025, quando estava em 8,2%, e aumentou 1,2% na comparação com o mesmo período de 2025, quando registrava 7,6%. O levantamento considera dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias e há no máximo cinco anos, com valor mínimo de R$ 1 mil e vinculadas ao financiamento ou às atividades do agronegócio. A evolução da série mostra crescimento contínuo da inadimplência, passando de 7,6% no primeiro trimestre de 2025 para 7,9% no segundo trimestre, 8,0% no terceiro, 8,2% no quarto trimestre e 8,8% nos três primeiros meses de 2026. A trajetória de alta indica que os produtores rurais ainda enfrentam dificuldades para recompor sua capacidade financeira.
A instituição avalia que, apesar de perspectivas mais favoráveis para alguns segmentos do agronegócio, os efeitos de ciclos anteriores caracterizados por custos elevados de produção, oscilações de preços e restrição ao crédito continuam pressionando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento dos produtores. A análise por perfil mostra que a maior taxa de inadimplência foi registrada entre produtores rurais sem informação de registro rural, grupo que pode incluir arrendatários e participantes de grupos familiares ou econômicos, com índice de 11,0%. Na sequência aparecem os grandes proprietários, com 9,9%, os médios produtores, com 8,6%, e os pequenos produtores, com 8,3%. Por faixa etária, o maior índice foi observado entre produtores de 30 a 39 anos, com inadimplência de 13,6%. Entre aqueles de 18 a 29 anos, a taxa alcançou 12,4%, enquanto o grupo de 40 a 49 anos registrou 11,3%.
A partir dos 50 anos, os indicadores passam a apresentar redução gradual, com taxas de 8,7% entre 50 e 59 anos, 7,1% entre 60 e 69 anos, 6,2% entre 70 e 79 anos e 3,8% entre produtores com 80 anos ou mais. Na distribuição regional, a Região Norte apresentou a maior inadimplência do País, com 13,2%, seguida pela Região Nordeste, com 10,2%, e pela Região Centro-Oeste, com 10,1%. A Região Sudeste registrou índice de 7,3%, enquanto a Região Sul apresentou a menor taxa nacional, de 6,2%. Entre os Estados, o Rio Grande do Sul registrou a menor inadimplência, com 5,8%, seguido por Paraná e Santa Catarina, ambos com 6,4%. No extremo oposto, o Amapá apresentou a maior taxa do País, de 21,2%. Entre os principais Estados produtores, Mato Grosso registrou inadimplência de 11,3%, Goiás de 9,6%, Mato Grosso do Sul de 8,7%, Minas Gerais de 7,3% e São Paulo de 7,0%.
O levantamento também mostrou deterioração na avaliação de risco de crédito dos produtores rurais. A pontuação média do Agro Score recuou de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período de 2026, indicando aumento da percepção de risco no setor. A Serasa Experian informou que o Agro Score utiliza inteligência artificial e técnicas de *machine learning* para integrar informações financeiras, cadastrais e específicas da atividade rural, apoiando instituições financeiras, cooperativas e empresas do agronegócio na avaliação de risco de crédito. O cálculo considera uma base de aproximadamente 10,7 milhões de pessoas físicas identificadas como população rural a partir de registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR), do Cadastro Federal de Imóveis Rurais (Cafir), do Cadastro Positivo e do Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (Sintegra). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.