16/Jul/2026
O Ministério da Fazenda avalia que o impacto macroeconômico das novas tarifas norte-americanas sobre a economia brasileira deverá permanecer limitado. As exportações brasileiras demonstraram resiliência após a elevação tarifária implementada em agosto de 2025, apresentando recuperação gradual a partir de novembro do mesmo ano. Os Estados Unidos responderam por aproximadamente 11% das exportações brasileiras em 2025, participação equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes da adoção das tarifas. Além disso, parte relevante das perdas foi compensada pelo redirecionamento das vendas para outros mercados, limitando os efeitos diretos sobre a atividade econômica. A expectativa é de manutenção desse cenário caso as novas medidas sejam implementadas. As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em junho de 2026, ainda pendentes de aprovação, contemplam exceções para diversos produtos, o que tende a reduzir o impacto agregado sobre a economia brasileira.
As medidas adotadas pelo governo brasileiro desde o ano passado para apoiar os setores mais expostos, incluindo ações voltadas ao crédito, à liquidez e à diversificação de mercados, deverão contribuir para mitigar os impactos setoriais remanescentes. A expectativa é de que os Estados Unidos anunciem tarifa adicional de 25% sobre parte das importações provenientes do Brasil, abrangendo aproximadamente 21% das exportações brasileiras, com previsão de uma lista de exceções para produtos considerados relevantes para o mercado consumidor norte-americano. A proposta foi apresentada preliminarmente em 1º de junho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão questionamentos relacionados ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais. O relatório preliminar também sugeriu excluir da medida produtos considerados estratégicos para o consumo e para a indústria norte-americana, incluindo aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,428 bilhões, queda de 13,0% em relação ao mesmo período de 2025. As importações recuaram 12,5%, para US$ 18,950 bilhões, resultando em déficit de US$ 1,522 bilhão na balança comercial brasileira com os Estados Unidos no acumulado do ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.