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16/Jul/2026

Conflitos e tarifas elevam incertezas para exportações

Segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o primeiro semestre de 2026 apresentou desempenho mais favorável do que o esperado para o comércio exterior brasileiro, porém o segundo semestre deverá ser marcado por elevada incerteza e aumento dos riscos para preços, cadeias globais de suprimento e fluxo comercial. As expectativas para a balança comercial foram revisadas para cima ao longo do ano. O Relatório Focus do Banco Central, divulgado em 2 de janeiro, projetava superávit comercial de US$ 66 bilhões em 2026. Na edição de 13 de julho, a estimativa foi elevada para US$ 76,2 bilhões. Paralelamente, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revisou sua projeção de superávit de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. O fortalecimento do saldo comercial decorreu principalmente da combinação de aumento dos preços e dos volumes exportados em ritmo superior ao observado nas importações durante o primeiro semestre, movimento reforçado pelos resultados de junho.

Na comparação com o mesmo mês de 2025, os termos de troca registraram ganho de 5,1%, refletindo desempenho mais favorável dos preços das exportações em relação aos das importações. A FGV atribui parte relevante da valorização dos preços internacionais aos impactos do conflito envolvendo o Irã, que afetou cadeias globais de suprimento, elevou custos logísticos e provocou aceleração dos preços do comércio internacional. O fechamento do Estreito de Ormuz contribuiu para esse cenário, sendo que, no caso brasileiro, a alta dos preços foi mais intensa nas exportações do que nas importações. Além das tensões geopolíticas, o relatório destaca como fator adicional de incerteza a divulgação do resultado da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301, que poderá resultar na aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A balança comercial brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com superávit de US$ 42,4 bilhões, valor US$ 12,2 bilhões superior ao registrado no mesmo período de 2025. Na comparação mensal, apenas março apresentou saldo inferior ao observado no ano anterior.

Em junho, o superávit alcançou US$ 9,8 bilhões, crescimento de US$ 3,9 bilhões frente a junho de 2025. O aumento do saldo comercial foi impulsionado principalmente pelas relações comerciais com a China, que contribuíram com incremento de US$ 7,6 bilhões no superávit, e pela União Europeia, com acréscimo de US$ 3,1 bilhões. O comércio com o restante do mundo respondeu por aumento adicional de US$ 4 bilhões. Em relação aos Estados Unidos, o déficit recuou de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão, enquanto o superávit com a Argentina diminuiu US$ 2,1 bilhões entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. No acumulado do primeiro semestre, o valor das exportações cresceu 14,4% em comparação com igual período do ano anterior, resultado da combinação de aumento de 6,6% nos preços e de 4,2% no volume embarcado. Em junho, frente ao mesmo mês de 2025, o valor exportado avançou 24,9%, sustentado por elevação de 15,4% nos preços e de 8,3% no volume. As importações registraram crescimento de 5,1% no primeiro semestre, com alta de 4,6% nos preços e avanço de 0,3% no volume. Em junho, o valor importado aumentou 15,4% na comparação anual, refletindo expansão de 9,8% nos preços e de 4,2% no volume.

Na indústria de transformação, nove dos 24 setores analisados reduziram as exportações destinadas aos Estados Unidos. Em contrapartida, segmentos de maior intensidade tecnológica, como equipamentos eletroeletrônicos e máquinas elétricas, ampliaram tanto suas exportações totais quanto aquelas destinadas ao mercado norte-americano, movimento associado ao comércio intraindústria e intrafirma entre multinacionais norte-americanas e suas filiais instaladas no Brasil. Sob a ótica dos grandes setores econômicos, todos registraram redução das exportações para os Estados Unidos, enquanto praticamente todos ampliaram as vendas para a China, demais mercados internacionais e o conjunto das exportações brasileiras, com exceção do setor de pesca. O crescimento do volume exportado no semestre foi liderado pelas commodities, com avanço de 5,1%. Em relação aos preços, os produtos não classificados como commodities apresentaram desempenho superior no acumulado do semestre. Em junho, entretanto, a valorização dos preços das commodities superou a observada para as não commodities.

Nas importações, destaque para a forte elevação dos preços das commodities. Entre janeiro e junho, os preços aumentaram 18,9%, enquanto o volume recuou 6,6%. Em junho, os preços avançaram 41,8% na comparação anual, acompanhados de retração de 26,5% no volume importado. No segmento de não commodities, as importações registraram crescimento de 7,3% nos preços e de 7,4% no volume em junho. Como as commodities representam aproximadamente 10% das importações totais, seu impacto sobre o índice geral de preços das importações é inferior ao efeito exercido pela valorização das commodities sobre os preços das exportações brasileiras. Entre os principais produtos importados, em junho, o volume de adubos e fertilizantes recuou 20,1%, enquanto os preços aumentaram 26,1%, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No caso do óleo combustível, o volume importado caiu 29,7% e os preços registraram alta de 54,5%. Adubos e óleos combustíveis ocuparam, respectivamente, a segunda e a terceira posição entre os principais produtos importados pelo Brasil no período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.