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16/Jul/2026

Brasil: IPCA de 2026 deverá superar o teto da meta

O Ministério da Fazenda revisou de 4,5% para 5,1% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, passando a estimar inflação acima do teto da meta estabelecida para o período. Para 2027, a previsão foi elevada de 3,5% para 3,6%, permanecendo acima do centro da meta de inflação, de 3%, conforme o Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A revisão decorre da elevação das expectativas de inflação, do espaço para repasse dos preços no atacado ao consumidor e da maior probabilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fatores que devem pressionar os índices de preços no segundo semestre. Em contrapartida, a valorização do real, a política monetária restritiva, as medidas adotadas para conter os preços dos combustíveis e a desaceleração da atividade econômica tendem a limitar parte dessas pressões. A avaliação também destaca que a crise no mercado internacional de petróleo continua representando um desafio para a economia global, com impactos simultâneos sobre inflação e crescimento.

Embora os preços do petróleo e de algumas commodities tenham apresentado acomodação recente, os efeitos indiretos do choque tendem a persistir em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas. No cenário internacional, os Estados Unidos apresentam menor vulnerabilidade ao choque do petróleo devido à menor dependência externa da commodity, embora a alta dos combustíveis continue pressionando a inflação. Na Zona do Euro, o aumento dos preços do petróleo e do gás natural reduz a renda real das famílias e mantém o Banco Central Europeu atento aos efeitos inflacionários. Na China, estoques elevados e mecanismos de controle de preços têm limitado o repasse da alta dos custos no curto prazo, mas um conflito prolongado poderá elevar os custos industriais e afetar as cadeias globais de suprimentos. Em relação aos alimentos, apesar da deflação registrada em junho, a inflação acumulada em 12 meses permanece pressionada pelos aumentos de preços de produtos in natura, leite, arroz e feijão, que continuam apresentando altas superiores ao padrão histórico.

Nos bens industriais e nos serviços, a aceleração da inflação reflete principalmente o aumento dos preços de produtos de higiene pessoal. Já os serviços permanecem pressionados, sobretudo pelas passagens aéreas, embora as medidas subjacentes indiquem desaceleração nos últimos meses. O Ministério da Fazenda também revisou para cima as projeções dos demais índices de preços para 2026. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) passou de 4,6% para 5,3%, enquanto a previsão para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi elevada de 4,9% para 5,6%. Para o período de 2028 a 2030, a expectativa é de convergência da inflação para 3,0% ao ano. O retrocesso em acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã trouxe novas doses de incerteza para o cenário macroeconômico. A cotação volátil do barril de petróleo no mercado internacional traz desafios do ponto de vista inflacionário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.