15/Jul/2026
O aumento da probabilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade ampliou a atenção de agentes econômicos e do setor agropecuário em razão dos potenciais impactos sobre a produção agrícola, os estoques globais de grãos e a inflação. De acordo com projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade classificada como muito forte. Como referência, durante o evento de 2023/24, considerado forte, a produção agrícola brasileira registrou redução de 8,2%. Caso uma perda semelhante se repita, os estoques globais de grãos poderão ser reduzidos, aumentando a pressão sobre os preços dos alimentos. O Morgan Stanley estima que um El Niño de intensidade moderada poderá acrescentar 0,84% ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sendo 0,34% em 2026 e 0,50% em 2027.
Em um cenário de El Niño forte, o impacto projetado sobe para 1,26% distribuído entre os dois anos. Caso o fenômeno seja muito forte, a contribuição poderá alcançar 1,68%. Nesse último cenário, a retomada do ciclo de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central até dezembro se tornaria mais difícil. Além dos efeitos sobre a inflação, o fenômeno representa um fator adicional de risco para a rentabilidade da atividade agrícola, em um contexto de restrições de crédito e redução das margens dos produtores. A avaliação de especialistas indica que os impactos variam conforme a intensidade e as características de cada evento climático, mas o risco de perdas de produtividade permanece elevado. No Brasil, os efeitos típicos do El Niño incluem irregularidade das chuvas e veranicos prolongados no Centro-Oeste e na região do Matopiba, comprometendo o desenvolvimento da soja e atrasando o plantio do milho 2ª safra.
Na Região Sul, o fenômeno normalmente provoca precipitações acima da média, favorecendo a produtividade de soja e milho, mas elevando simultaneamente os riscos de enchentes e da incidência de doenças nas lavouras. O Itaú BBA avalia que o Brasil representa atualmente um dos principais focos de risco para o mercado internacional de grãos, em função da crescente participação do País na oferta mundial e da elevada variabilidade dos impactos climáticos entre as diferentes regiões produtoras. Apesar desse cenário, o Itaú BBA mantém como projeção-base uma produção brasileira recorde de soja de 182,4 milhões de toneladas na safra 2026/27. Entretanto, uma redução de 6% na produção seria suficiente para levar os estoques globais ao menor nível desde a safra 2023/24.
Especialistas também destacam que os impactos do fenômeno vão além da produtividade das lavouras. Em 2023, aproximadamente 3 milhões de hectares precisaram ser replantados em razão da distribuição irregular das chuvas, elevando significativamente os custos de produção. Ao mesmo tempo, a avaliação técnica é de que, devido à dimensão territorial do Brasil, os efeitos climáticos tendem a ocorrer de forma heterogênea entre as regiões, permitindo que ganhos de produtividade em algumas áreas compensem parcialmente as perdas registradas em outras, reduzindo a probabilidade de um colapso na produção agrícola nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.