15/Jul/2026
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), as novas tarifas em avaliação pelo governo dos Estados Unidos podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e abrir espaço para substituição de fornecedores nacionais por concorrentes internacionais. A diferença de tratamento tarifário entre países pode comprometer a participação do Brasil no fornecimento de matérias-primas e insumos para a indústria norte-americana. A eventual aplicação conjunta de uma tarifa de 25%, relacionada à Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, e de uma cobrança adicional de 12,5% associada a supostas falhas no combate ao trabalho forçado poderá resultar em uma sobretaxa total de 37,5% para os produtos enquadrados nas duas medidas em análise. A decisão do Escritório da Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível imposição de tarifas ao Brasil está prevista para ser anunciada até 15 de julho.
A FIEMG avalia que o impacto não estará restrito ao percentual da tarifa aplicada, mas também à diferença em relação às condições oferecidas a países concorrentes que disputam os mesmos mercados consumidores. Com custos mais elevados, exportadores brasileiros podem enfrentar perda de espaço comercial, pressão para redução de preços e necessidade de renegociação de contratos e condições de fornecimento. O impacto dependerá da disponibilidade de fornecedores alternativos, do nível de diferenciação dos produtos e do relacionamento comercial entre empresas exportadoras e importadoras. Levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG aponta maior exposição para matérias-primas, insumos agroindustriais, produtos de madeira e determinados bens industriais.
O ferro-gusa está entre os produtos brasileiros mais vulneráveis, pois pode ser atingido simultaneamente pelas duas medidas tarifárias em discussão. O produto brasileiro concorre no mercado norte-americano com fornecedores da Ucrânia, Índia, Canadá, África do Sul e Indonésia, que podem receber tratamentos tarifários distintos. O ferro-gusa ucraniano, por exemplo, teria potencial de alcançar os Estados Unidos com vantagem tarifária de até 37,5 pontos porcentuais em relação ao produto brasileiro. O sebo e produtos de madeira também estão entre os itens expostos, já que concorrentes internacionais podem enfrentar tarifas inferiores às aplicadas ao Brasil, ampliando a vantagem competitiva desses fornecedores. Diante da proximidade da decisão norte-americana, a FIEMG defende o avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos, a ampliação da lista de exceções e o estabelecimento de regras claras para aplicação das tarifas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.