15/Jul/2026
Apesar do aumento da incerteza política nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, ainda há espaço para que o desfecho das discussões resulte em impacto inferior ao inicialmente previsto. A expectativa é de que a atuação de empresas dos dois países durante as negociações contribua para ampliar a lista de produtos isentos das novas tarifas ou reduzir a alíquota efetiva aplicada às exportações brasileiras. As negociações em andamento poderão ampliar significativamente o número de exceções, reduzindo, na prática, o alcance da tarifa originalmente anunciada pelo governo norte-americano.
A expectativa também considera que a audiência pública e as próximas etapas das negociações deverão intensificar a atuação de exportadores brasileiros e de empresas dos Estados Unidos interessadas em preservar suas cadeias de suprimento, diante da dificuldade de substituição de fornecedores brasileiros em diversos segmentos. Estudos da LCA Consultoria indicam que o impacto agregado das novas tarifas tende a ser inferior ao inicialmente estimado. Aproximadamente 54% da pauta exportadora brasileira já estaria contemplada por isenções, enquanto outros 25% permanecem sujeitos às tarifas previstas na Seção 232, em vigor desde o ano anterior.
Dessa forma, cerca de 21% das exportações brasileiras permaneceriam diretamente expostas ao novo pacote tarifário. Os impactos sobre os mercados financeiros permanecem incertos. Embora a primeira rodada de elevação tarifária tenha produzido efeitos limitados, um novo aumento poderá ampliar a sensibilidade do mercado cambial. A expectativa é de que uma eventual redução das exportações para os Estados Unidos diminua o ingresso de divisas no Brasil e exerça pressão sobre a taxa de câmbio. Entretanto, caso parte dessas exportações seja redirecionada para outros mercados, o fluxo de dólares poderá ser preservado, reduzindo esse impacto.
No mercado de juros, a reação dependerá da avaliação dos investidores quanto à extensão dos efeitos econômicos das tarifas. Caso as empresas mais atingidas apresentem elevada dependência do mercado norte-americano, poderá haver aumento da percepção de risco para esses setores, elevando o custo de novos investimentos. Por outro lado, se o mercado interpretar o choque como pontual e restrito a segmentos específicos, a tendência é de menor contaminação da percepção de risco em relação à economia brasileira como um todo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.