15/Jul/2026
A revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) inaugurou uma nova etapa de incertezas para o comércio da América do Norte, com potencial para alterar cadeias produtivas integradas, especialmente na indústria automotiva. Responsáveis por um fluxo anual de aproximadamente US$ 1,9 trilhão em bens e serviços, equivalente a cerca de US$ 5 bilhões por dia, Canadá e México consolidaram-se como os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, superando a China. Alterações nas regras do tratado poderão ampliar custos para empresas e consumidores em toda a região. O USMCA foi negociado durante o primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para substituir o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), e prevê revisões obrigatórias a cada seis anos. Embora o processo formal tenha sido iniciado neste mês, as negociações deverão se estender por vários meses, influenciadas pela política comercial norte-americana baseada na adoção de tarifas e na revisão de acordos comerciais.
O principal foco das discussões envolve a indústria automotiva. Os Estados Unidos defendem o endurecimento das regras de origem para ampliar a produção doméstica e reduzir a participação indireta de componentes chineses nas cadeias regionais. Atualmente, o acordo exige que 75% do conteúdo dos veículos seja produzido na América do Norte para acesso aos benefícios tarifários. A proposta norte-americana prevê elevar esse percentual e estabelecer uma nova exigência de que 50% da produção de cada veículo seja realizada em território dos Estados Unidos. Canadá e México demonstram resistência à proposta, por considerarem que a medida contraria o modelo de integração produtiva desenvolvido nas últimas décadas. Avaliações do mercado indicam que mudanças dessa magnitude exigiriam ampla reestruturação das cadeias de suprimentos, com reflexos sobre investimentos, custos industriais e preços ao consumidor.
Estimativas da Coface apontam que apenas um em cada cinco veículos atualmente importados do México e do Canadá atenderia ao requisito de 50% de conteúdo produzido nos Estados Unidos. Modelos como Ford Maverick, Chevrolet Equinox e alguns sedãs da Nissan produzidos no México poderiam registrar aumentos de custos entre 5% e 7%. O ambiente político também adiciona incertezas ao processo de revisão. O presidente Donald Trump voltou a manifestar dúvidas sobre a continuidade do acordo e reiterou a posição de que os Estados Unidos não dependem dos produtos provenientes do Canadá e do México. Embora analistas considerem pouco provável a retirada norte-americana do tratado, essa possibilidade permanece prevista no próprio USMCA, desde que haja comunicação formal aos demais integrantes com antecedência mínima de seis meses. O governo canadense acompanha com cautela as negociações bilaterais entre Estados Unidos e México, diante da possibilidade de que os dois países avancem em entendimentos antes da participação efetiva do Canadá.
A posição do governo canadense é favorável à modernização do tratado, observando que qualquer alteração dependerá da aprovação do Congresso dos Estados Unidos. O setor privado destaca a necessidade de maior previsibilidade regulatória. Empresas relatam que as sucessivas alterações tarifárias implementadas pela atual administração norte-americana dificultam o planejamento operacional e elevam os custos de negócios. Também são apontadas dificuldades, especialmente entre empresas de menor porte, para atender às exigências de regras de origem previstas no acordo, em razão da utilização de matérias-primas importadas da Ásia, o que pode comprometer o acesso aos benefícios tarifários do USMCA. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.