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14/Jul/2026

Grãos: conflitos elevam os riscos ao mercado global

A intensificação dos conflitos no Mar Negro e no Oriente Médio voltou a elevar os riscos para o comércio internacional de commodities agrícolas e energéticas. Segundo análise da StoneX, os ataques à infraestrutura portuária da Ucrânia e a interrupção do tráfego no Estreito de Kerch aumentam as incertezas sobre o fluxo de trigo, milho e óleos vegetais, enquanto a escalada das tensões no Estreito de Ormuz pressiona o mercado de energia e os custos dos derivados de petróleo. O principal foco no Mar Negro está no Estreito de Kerch, ligação entre o Mar de Azov e o Mar Negro, rota por onde escoa aproximadamente um terço das exportações russas de trigo. A Rússia responde por cerca de 22,5% das exportações mundiais do cereal, enquanto a Ucrânia participa com aproximadamente 7% e ocupa posição de destaque também nas exportações globais de milho.

O tráfego na região foi interrompido na sexta-feira e permanecia suspenso no início desta semana, embora houvesse expectativa de reabertura. O tema deverá ser analisado pelo Conselho de Segurança da Rússia. A paralisação foi atribuída ao aumento dos ataques ucranianos no Mar de Azov. Segundo a StoneX, 105 embarcações ligadas à Rússia foram atingidas ao longo de oito dias, ampliando as preocupações com a continuidade dos embarques russos. Como resposta, a Rússia intensificou os ataques contra a infraestrutura portuária ucraniana durante o fim de semana passado. Um porto nas proximidades de Odessa sofreu danos suficientes para interromper suas operações por tempo indeterminado. Até o momento, os ataques russos permanecem concentrados em instalações portuárias, sem atingir de forma sistemática navios carregados com grãos.

No entanto, uma eventual ampliação dessa estratégia representaria risco adicional para o abastecimento global. Após a forte valorização registrada na sexta-feira, os contratos futuros de trigo devolveram parte dos ganhos na sessão desta segunda-feira, refletindo um movimento de consolidação enquanto o mercado avalia a duração das interrupções logísticas. Os acontecimentos no Mar Negro continuarão influenciando não apenas o mercado de trigo, mas também os de milho e oleaginosas, diante da relevância da região para o comércio internacional de alimentos e óleos vegetais. A crescente demanda por matérias-primas destinadas ao diesel de biomassa também amplia a sensibilidade desses mercados a eventuais perdas de oferta. No Oriente Médio, o cenário também permanece pressionado. A redução do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz elevou as preocupações sobre o abastecimento energético global.

O petróleo vem sendo negociado entre US$ 74,00 e US$ 75,00 por barril, enquanto os derivados apresentam comportamento compatível com um petróleo próximo de US$ 100,00 por barril. Essa diferença decorre, em parte, da redução da capacidade russa de produção de diesel, gasolina e combustível de aviação após ataques de drones ucranianos, situação que já provoca dificuldades de abastecimento no mercado interno russo. Além do ambiente geopolítico, a evolução das compras chinesas continuará sendo um dos principais fatores para os mercados agrícolas. A China realizou novas aquisições de soja norte-americana, mas permanece a expectativa quanto ao cumprimento do compromisso de importar 25 milhões de toneladas do produto dos Estados Unidos, além de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas. O USDA considera atualmente cerca de 16 milhões de toneladas de compras chinesas em seus balanços, enquanto volumes superiores poderiam reduzir de forma mais significativa os estoques norte-americanos.

Também circulam expectativas de possíveis compras chinesas de milho e trigo dos Estados Unidos, embora ainda não haja confirmação oficial. Caso essas aquisições sejam efetivadas em volumes relevantes, poderão fortalecer o sentimento do mercado mesmo antes de alterarem significativamente os fundamentos de oferta e demanda. Em relação ao clima nos Estados Unidos, as condições permanecem favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. Apesar do calor em parte do norte e oeste do Cinturão Agrícola, as principais áreas de polinização do milho apresentam baixo risco climático. A previsão indica continuidade das chuvas, temperaturas mais amenas ao longo do restante de julho e uma nova onda de calor apenas no início de agosto. As projeções apontam que o atual padrão climático deverá favorecer produtividades de milho e soja próximas ou superiores à média histórica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.