14/Jul/2026
As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam novo crescimento da produção brasileira de soja e milho na safra 2026/27, porém fatores econômicos e climáticos podem limitar o alcance desse potencial. Avaliação da Purdue University aponta que margens reduzidas, custos financeiros elevados, dependência de fertilizantes importados e a perspectiva de um forte El Niño aumentam os riscos para a próxima temporada. As margens de rentabilidade das lavouras de soja e milho permanecem próximas ao ponto de equilíbrio e, em alguns casos, negativas, refletindo a combinação de preços mais baixos da soja, redução dos prêmios nos portos e elevados custos de produção. Esse cenário reduz os incentivos para a expansão da área cultivada.
O ambiente financeiro também representa um desafio ao setor. Com taxa básica de juros em torno de 15% ao ano, o crédito tornou-se mais caro e restritivo, levando produtores a ampliar o uso de financiamentos provenientes de bancos, tradings e fornecedores de insumos, movimento que contribui para o aumento do endividamento no campo. Outro fator de preocupação é a elevada dependência externa de fertilizantes. Em 2025, as importações responderam por 88% do consumo brasileiro desses insumos. A volatilidade dos preços da ureia poderá restringir a aplicação de nutrientes na safra 2026/27 e pressionar ainda mais as margens dos produtores.
No campo climático, a expectativa de ocorrência de um forte El Niño durante a temporada 2026/27 amplia as incertezas. As previsões indicam redução das chuvas em parte das Regiões Centro-Oeste e Norte, principais regiões produtoras de soja e milho, enquanto a Região Sul poderá registrar precipitações acima da média. O fenômeno poderá atrasar a semeadura da soja e, consequentemente, postergar o plantio da 2ª safra de milho de 2027, elevando a exposição das lavouras ao risco climático e reduzindo o potencial produtivo. Caso a produção brasileira fique abaixo das projeções atuais, a menor disponibilidade de oferta poderá contribuir para sustentar as cotações internacionais de soja e milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.