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14/Jul/2026

Tarifa dos EUA: empresas diversificam mercados

Quase um ano após o primeiro choque tarifário dos Estados Unidos, empresas brasileiras passaram a adotar estratégias de diversificação de mercados, renegociação de contratos e utilização de linhas de crédito com apoio governamental para reduzir impactos sobre as exportações. O cenário internacional mais instável elevou a percepção de risco dos investidores em relação à dependência das companhias brasileiras do mercado norte-americano e trouxe novos desafios para decisões de longo prazo. Diante da possibilidade de aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, prevista para decisão em 15 de julho, exportadores devem manter a busca por novos destinos comerciais e ampliar o relacionamento com compradores internacionais. Apesar do avanço da diversificação, permanece a preocupação com a perda de competitividade dos produtos brasileiros, que ainda sofrem efeitos das primeiras medidas tarifárias norte-americanas.

Levantamento da ApexBrasil indica que 72% das empresas apoiadas pela agência com vendas destinadas aos Estados Unidos abriram pelo menos um novo mercado após agosto de 2025. A eventual adoção de novas tarifas tende a reforçar esse movimento, com destaque para oportunidades comerciais relacionadas à União Europeia no âmbito do acordo entre Mercosul e o bloco europeu. Mesmo com a abertura de novos destinos, os Estados Unidos permanecem como um mercado estratégico para as exportações brasileiras. O país é o segundo principal parceiro comercial do Brasil em bens e o maior destino das exportações industriais brasileiras, atrás apenas da China. As medidas tarifárias anteriores já afetaram a relação comercial bilateral, e uma nova rodada de restrições tende a ampliar os impactos sobre os fluxos de comércio e investimentos. Dados da Amcham Brasil indicam que a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu o menor nível histórico no primeiro semestre de 2026.

O mercado norte-americano respondeu por 9,4% das exportações brasileiras e por 11,1% da corrente de comércio entre os dois países. No mesmo período, China e União Europeia apresentaram participações superiores nas exportações brasileiras, com 21,9% e 12,8%, respectivamente. O choque comercial de 2025 também levou o governo brasileiro a ampliar mecanismos de apoio ao setor exportador por meio do Plano Brasil Soberano. A expectativa é de que eventuais novas tarifas possam ampliar a utilização do programa, que inclui linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinadas a empresas exportadoras e setores afetados pelas restrições comerciais. Especialistas avaliam que novas medidas tarifárias podem resultar em ajustes nos critérios de acesso ao financiamento para empresas impactadas. O Plano Brasil Soberano também é analisado como uma mudança na relação entre o setor público e a iniciativa privada, com maior integração em instrumentos como crédito, garantias e negociações voltadas à proteção da atividade exportadora.

Entre os setores afetados, a indústria siderúrgica foi uma das mais impactadas pelas medidas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos. Segundo o Instituto Aço Brasil, os produtos laminados sofreram efeitos mais imediatos das restrições por competirem diretamente com produtos fabricados no mercado norte-americano. Em contrapartida, as placas de aço representam mais de 80% do volume exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, sendo utilizadas como matéria-prima pela indústria siderúrgica norte-americana, que depende dessas importações e mantém o Brasil como principal fornecedor. O setor siderúrgico é atualmente afetado pela tarifa de 50% aplicada no âmbito da Seção 232, mecanismo diferente da nova medida em discussão, baseada na Seção 301. A avaliação do setor é de que, caso sejam aplicadas, as medidas da Seção 301 não serão cumulativas com a Seção 232, não gerando impacto direto adicional sobre as exportações brasileiras de aço. O segmento aguarda avanços nas negociações entre Brasil e Estados Unidos.

O setor madeireiro, também afetado pelas tarifas anteriores e representado pela Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), informou que as empresas ainda passam por recuperação gradual após meses de redução da atividade, queda da produção, demissões e incerteza comercial. O segmento avalia que uma eventual aplicação de medidas pela Seção 301 poderá ampliar os desafios competitivos, especialmente diante da possibilidade de concorrentes internacionais enfrentarem tarifas menores no mercado norte-americano. As novas medidas em discussão estão fundamentadas na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para investigar e aplicar sanções comerciais contra países acusados de práticas consideradas prejudiciais aos interesses de empresas norte-americanas. A medida possui características distintas da tarifa aplicada anteriormente pela Seção 232 e apresenta maior respaldo jurídico, reduzindo a possibilidade de reversão judicial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.