14/Jul/2026
O governo brasileiro e representantes do setor produtivo mantêm negociações com os Estados Unidos na tentativa de ampliar a lista de produtos isentos, reduzir a alíquota ou reverter a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Apesar das tratativas em andamento, a avaliação predominante entre fontes envolvidas nas discussões é de que o cenário mais provável para a decisão prevista para 15 de julho é a aplicação integral da tarifa, acompanhada da inclusão de alguns produtos adicionais na relação de exceções. A proposta do governo norte-americano está fundamentada na investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos e que pode resultar na aplicação de sanções comerciais.
Diferentemente das medidas adotadas anteriormente, a utilização da Seção 301 possui respaldo jurídico mais amplo no ordenamento dos Estados Unidos, reduzindo a possibilidade de reversão judicial das sanções. No caso brasileiro, a investigação aborda temas relacionados a supostas práticas comerciais desleais, proteção da propriedade intelectual, sistemas de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, políticas de combate à corrupção e barreiras ao acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro. Representantes do setor produtivo avaliam que as negociações permanecem em curso, embora reconheçam que ainda existe ampla distância entre as posições dos dois países. A expectativa é de continuidade do diálogo em busca de uma solução negociada que preserve o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.
Caso a tarifa de 25% seja efetivamente implementada, ela poderá ser somada à sobretaxa de 12,5% aplicada a determinados produtos sob alegação de trabalho forçado, elevando a tributação potencial para até 37,5%. Nesse cenário, o Brasil passaria a enfrentar um dos regimes tarifários mais restritivos entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos. As análises de mercado indicam, contudo, que ainda existe possibilidade de ampliação da lista de exceções, reduzindo a incidência efetiva das novas tarifas. Também é considerada viável uma eventual diminuição da alíquota durante as negociações, diante do interesse de empresas norte-americanas em preservar fornecedores brasileiros em cadeias produtivas nas quais a substituição de origem pode ser limitada. Segundo estimativas da LCA Consultoria, aproximadamente 54% da pauta exportadora brasileira já se encontra contemplada por exceções às novas medidas tarifárias, enquanto cerca de 25% permanecem enquadradas nas restrições previstas na Seção 232, em vigor desde o ano anterior.
Dessa forma, aproximadamente 21% das exportações brasileiras permaneceriam mais diretamente sujeitas ao novo pacote tarifário. Os possíveis impactos econômicos permanecem condicionados ao alcance das medidas. No mercado cambial, uma eventual redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderá diminuir o ingresso de divisas e aumentar a sensibilidade do Real. Entretanto, esse efeito poderá ser mitigado caso os embarques sejam redirecionados para outros mercados. No mercado financeiro, os impactos sobre a curva de juros dependerão da avaliação dos investidores quanto à intensidade dos riscos para os setores mais expostos ao mercado norte-americano e à possibilidade de reflexos sobre a percepção de risco da economia brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.