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14/Jul/2026

Setor privado considera provável o tarifaço dos EUA

Empresários brasileiros e representantes do setor privado avaliam como provável a aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil, mas consideram possível a ampliação da lista de exceções antes da decisão final do governo norte-americano. A expectativa ocorre após a audiência pública conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação de supostas práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil. Em relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR recomendou a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com previsão de conclusão da investigação após as consultas públicas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que a medida poderá atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos caso seja efetivamente implementada. Representantes da indústria e do agronegócio consideram que a decisão final terá forte componente político e dependerá da definição do governo norte-americano.

O setor avalia que as negociações entre Brasil e Estados Unidos avançaram pouco, apesar da realização de mais de dez reuniões bilaterais, e aponta falta de clareza sobre os objetivos das tratativas. A percepção predominante entre os empresários é de que a aplicação da tarifa permanece como cenário mais provável, embora exista espaço para manutenção e ampliação das exceções previstas no relatório preliminar do USTR. Entre os produtos já indicados para exclusão estão a maior parte dos produtos agropecuários, aeronaves e componentes aeronáuticos, fertilizantes, minerais críticos e estratégicos e insumos industriais relevantes para cadeias produtivas norte-americanas. O setor privado trabalha para incluir novos itens na lista de isenções, como calçados, café solúvel e determinados insumos industriais ligados às cadeias de máquinas e equipamentos.

A justificativa é que esses produtos possuem complementaridade comercial entre os dois países e que eventuais restrições poderiam elevar custos para consumidores e empresas nos Estados Unidos. Apesar das expectativas de ampliação das exceções, empresários avaliam que o ambiente geopolítico e o desgaste nas relações bilaterais podem dificultar uma flexibilização maior da medida. O setor também considera possível uma modulação da alíquota final, mas destaca que qualquer alteração dependerá de decisão política do governo norte-americano. A eventual tarifa adicional será aplicada no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O país aponta questionamentos relacionados a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.