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13/Jul/2026

IPCA desacelera com queda de alimentos em junho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho de 2026, após avanço de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a inflação acumulada no ano alcançou 3,36%, enquanto a variação em 12 meses desacelerou para 4,64%, ante 4,72% até maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou alta de 0,14% em junho, após elevação de 0,65% em maio. O indicador acumulou avanço de 3,51% no ano e de 4,33% em 12 meses, ante 4,42% no período anterior. O INPC acompanha a variação dos preços para famílias com renda de um a cinco salários-mínimos e chefiadas por assalariados. O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela contenção da inflação em junho, com queda de 0,24%, após alta de 1,33% em maio, e impacto negativo de 0,05 ponto porcentual no IPCA. A alimentação no domicílio recuou 0,39%, após avanço de 1,65% no mês anterior, enquanto a alimentação fora do domicílio apresentou alta de 0,15%, desacelerando ante a elevação de 0,49% registrada em maio.

O grupo Transportes registrou alta de 0,17% em junho, revertendo a queda de 0,46% observada em maio, com impacto positivo de 0,03 ponto porcentual no índice geral. Os preços dos combustíveis recuaram 0,48%, após queda de 1,95% no mês anterior. A gasolina caiu 0,12%, ante recuo de 1,46% em maio, enquanto o etanol apresentou baixa de 3,09%, após redução de 6,20% na leitura anterior. A queda nos preços de alimentos e combustíveis contribuiu para compensar parte da pressão exercida pela energia elétrica residencial. O grupo Alimentação e bebidas, com participação de 21,75% na composição do IPCA, foi o único grupo com variação negativa no mês e apresentou o maior impacto de baixa, de 0,05%. A redução dos preços dos alimentos refletiu uma combinação de fatores, incluindo a menor pressão dos combustíveis sobre os custos ao consumidor, a devolução de altas anteriores e a maior oferta de alguns produtos, como o café, diante da expectativa de uma safra mais favorável.

Apesar da retração do grupo, alguns itens mantiveram trajetória de alta em junho, como batata, alho e feijão carioca, evidenciando comportamento heterogêneo entre os produtos. O resultado de Alimentação e bebidas foi o menor registrado para meses de junho desde 2023. A desaceleração contribuiu para a redução do índice de difusão do IPCA, que passou de 65% em maio, equivalente a 245 subitens com aumento de preços, para 54% em junho, ou 202 subitens, com recuo tanto entre itens alimentícios quanto não alimentícios. O grupo Habitação apresentou a maior alta entre os componentes do IPCA em junho, com avanço de 0,63% e impacto positivo de 0,10%. A energia elétrica residencial desacelerou de 3,67% para 1,53%, mas permaneceu como o principal impacto individual do índice, com contribuição de 0,06%. No acumulado do primeiro semestre de 2026, o IPCA avançou 3,36%, acima da alta de 2,99% registrada no mesmo período de 2025 e o maior resultado para os seis primeiros meses do ano desde 2022, quando atingiu 5,49%. Ao longo do semestre, os principais vetores de pressão foram alimentos e combustíveis.

O tomate acumulou alta de 82%, com impacto de 0,16% no IPCA, enquanto a gasolina avançou 6,37%, representando o maior impacto individual do ano, de 0,32 ponto porcentual, ante alta de 2,53% no primeiro semestre de 2025. A volatilidade dos preços internacionais do petróleo, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, contribuiu para o comportamento dos combustíveis. Entre os grupos, Educação apresentou a maior alta acumulada no semestre, de 5,29%, seguida por Alimentação e bebidas, com avanço de 4,56% e impacto de 0,98% no índice. Habitação também exerceu pressão relevante, com impacto de 0,45%, influenciado principalmente pela alta acumulada de 3,58% da energia elétrica. A comparação anual também foi influenciada pelo comportamento do café, que sofreu pressão desde o fim de 2024 e ao longo de 2025 em razão de problemas climáticos que reduziram a oferta global e afetaram a produção brasileira. Segundo a XP, o resultado de junho apresentou características favoráveis para a trajetória da inflação, apesar da pressão da energia elétrica. A surpresa positiva foi com o comportamento dos alimentos, especialmente os produtos in natura, que apresentaram descompressão após fortes altas no primeiro semestre.

No segmento de carnes, a redução dos preços foi associada ao preenchimento da cota de exportação para a China, à melhora da oferta doméstica e à desaceleração observada nas cotações do boi gordo e da carcaça bovina. Os serviços também apresentaram desempenho mais moderado que o esperado, com destaque para a alimentação fora do domicílio, que apresentou menor pressão. Os bens industrializados mantiveram comportamento considerado favorável, com preços de vestuário, automóveis e eletrodomésticos em trajetória mais comportada. As medidas de inflação subjacente indicaram moderação na margem, reforçando a percepção de desaceleração do processo inflacionário. A XP mantém a expectativa de redução de 0,25% na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em agosto, enquanto os próximos passos dependerão da evolução do ambiente econômico doméstico e internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.