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13/Jul/2026

Dólar norte-americano ganhou força no 1º semestre

O dólar encerrou o primeiro semestre de 2026 em trajetória de valorização, contrariando as expectativas predominantes no início do ano, que apontavam para um novo ciclo de enfraquecimento da moeda norte-americana. A mudança de cenário refletiu a combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio, inflação persistente nos Estados Unidos e revisão das expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed), fatores que alteraram significativamente a percepção dos investidores sobre os ativos denominados em dólar. O fortalecimento da moeda norte-americana ocorreu de forma heterogênea entre as diferentes divisas. A valorização foi mais intensa frente às moedas de economias desenvolvidas, como o iene japonês e o dólar canadense, além de também se refletir sobre o real brasileiro. Em contrapartida, parte das moedas de mercados emergentes apresentou desempenho relativamente mais resiliente, sustentada por fatores domésticos e pelo diferencial de taxas de juros.

O comportamento do mercado cambial evidenciou crescente diferenciação entre as moedas, influenciada pelos impactos da guerra no Oriente Médio, pela evolução dos preços da energia e pelas expectativas em relação à condução da política monetária norte-americana. Analistas de instituições financeiras internacionais avaliam que o principal vetor desse movimento foi a combinação entre preços elevados da energia e seus reflexos sobre inflação, crescimento econômico e decisões dos bancos centrais. O aumento das expectativas de novas elevações dos juros nos Estados Unidos passou a oferecer sustentação adicional ao dólar, cenário considerado improvável no início do ano. Nos primeiros meses de 2026, predominavam projeções de uma política monetária mais flexível por parte do Federal Reserve, sob a presidência de Kevin Warsh, além de preocupações relacionadas aos ativos norte-americanos. Esse ambiente foi alterado com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que impulsionou os preços do petróleo, fortaleceu a busca por ativos considerados mais seguros e favoreceu a valorização do dólar frente à maior parte das moedas do G10.

Posteriormente, o anúncio de um cessar-fogo reduziu parte da pressão sobre o mercado de energia, mas a persistência da inflação e a resiliência da economia norte-americana mantiveram o mercado revisando suas expectativas para os juros. Segundo o Bank of America (BofA), a principal mudança ocorreu após o presidente do Federal Reserve adotar um discurso mais firme no combate à inflação, reforçando o compromisso da autoridade monetária com a estabilidade de preços e reduzindo a percepção de riscos para o mercado de trabalho. A instituição projeta três elevações de 25 pontos-base na taxa de juros ainda em 2026, previstas para setembro, outubro e dezembro, cenário mais restritivo do que o atualmente incorporado pelos preços de mercado. A Bannockburn Capital Markets também avalia que o comportamento observado no primeiro semestre divergiu das expectativas predominantes dos investidores. As projeções iniciais contemplavam enfraquecimento do dólar, cortes de juros pelo Federal Reserve e melhor desempenho das moedas de mercados emergentes.

No entanto, a inflação norte-americana permaneceu elevada, o mercado de trabalho mostrou resiliência e o banco central passou a sinalizar uma política monetária mais restritiva, favorecendo a recuperação da moeda norte-americana. Na avaliação do Goldman Sachs, o primeiro semestre foi caracterizado por um comportamento seletivo do dólar, que apresentou valorização principalmente frente às moedas de menor rendimento, encontrando maior resistência diante de divisas com retorno mais elevado aos investidores. O banco atribui esse movimento ao fortalecimento dos investimentos em inteligência artificial nos Estados Unidos e ao choque nos preços da energia decorrente do conflito no Oriente Médio, fatores que ampliaram o diferencial de crescimento econômico e de juros favorável aos Estados Unidos. Diante desse cenário, a instituição revisou suas projeções para o euro e elevou as estimativas para o dólar frente ao iene, indicando que uma desvalorização mais ampla da moeda norte-americana poderá ocorrer em prazo mais longo. A Société Générale também avalia que a valorização do dólar permanece sustentada.

Segundo a instituição, os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz fortaleceram relativamente a economia norte-americana frente à Europa e à Ásia, ao melhorar os termos de troca dos Estados Unidos. Esse ambiente, combinado com a postura mais firme do Federal Reserve diante da inflação e da atividade econômica resiliente, reforça a expectativa de continuidade da força do dólar no segundo semestre. As perspectivas para os próximos meses permanecem condicionadas à evolução da inflação nos Estados Unidos, ao comportamento dos investimentos em inteligência artificial, ao cenário geopolítico no Oriente Médio e às futuras decisões de política monetária do Federal Reserve. Instituições financeiras também destacam que uma eventual retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã poderá elevar novamente os preços da energia, reforçando pressões inflacionárias e sustentando um ambiente de juros elevados e fortalecimento adicional da moeda norte-americana. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.