13/Jul/2026
O aumento das importações de calçados reduziu o potencial de geração de empregos da indústria brasileira no primeiro semestre de 2026. Segundo estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o setor deixou de criar aproximadamente 7,8 mil postos de trabalho diretos no período em razão do avanço dos produtos importados no mercado doméstico. Entre janeiro e junho, as importações totalizaram 25,9 milhões de pares, crescimento de 15,9% em relação ao mesmo período de 2025, movimentando US$ 307 milhões. A Ásia concentrou 87,2% do volume importado, com a China mantendo a posição de principal origem dos calçados adquiridos pelo Brasil. Em sentido oposto, as exportações brasileiras continuaram em retração no primeiro semestre. Os embarques ao exterior somaram 49 milhões de pares, com receita de US$ 408,2 milhões, representando recuo de 7% em volume e de 17,9% em valor na comparação anual.
Como consequência da combinação entre aumento das importações e redução das exportações, o saldo da balança comercial do setor caiu 55,1%, registrando o menor resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997. A indústria nacional enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receitas nas exportações e intensificação da concorrência dos produtos importados. Parte dessa competição decorre de práticas consideradas desleais no comércio internacional, em desacordo com regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras de calçados, mesmo após a adoção de tarifas de importação sobre o produto brasileiro. No primeiro semestre, foram embarcados 5,6 milhões de pares para o mercado norte-americano, volume 3,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, gerando receita de US$ 85,25 milhões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.