13/Jul/2026
O número de novos casos de câncer no mundo poderá aumentar de 20,6 milhões, registrados em 2024, para quase 35 milhões em 2050, segundo o Relatório Global sobre a Situação do Câncer 2026, elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). O estudo estima ainda que aproximadamente 92% da população mundial será afetada pela doença de forma direta ou indireta, seja por meio do diagnóstico próprio ou pela convivência com familiares e pessoas próximas acometidas pelo câncer. O relatório aponta que cerca de 40% dos casos de câncer estão associados a fatores de risco modificáveis, entre eles tabagismo, consumo de álcool, infecções como HPV e hepatites B e C, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e poluição do ar. Políticas de prevenção podem reduzir significativamente a incidência da doença, embora o crescimento populacional e o envelhecimento da população continuem impulsionando o aumento do número absoluto de casos.
Apesar dos avanços relacionados à ampliação da cobertura vacinal, ao controle do tabagismo e às melhorias em saneamento básico e higiene, persistem desigualdades relevantes no acesso ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados paliativos. O câncer de mama exemplifica essa diferença: a taxa de sobrevida após o diagnóstico alcança 87% nos países de alta renda, enquanto nos países de baixa renda esse índice é de 42%. Menos de um terço dos países oferece tratamento oncológico como parte dos serviços contemplados pela cobertura universal de saúde, mantendo milhões de pacientes dependentes de desembolso próprio ou da rede privada para acesso aos cuidados necessários. Além dos impactos sobre a saúde, o câncer produz efeitos econômicos, sociais e emocionais. Pesquisa conduzida pela OMS com pessoas afetadas pela doença mostra que pelo menos 45% relataram dificuldades financeiras relacionadas ao tratamento.
Mais da metade informou enfrentar problemas de saúde mental, enquanto praticamente todos os cuidadores declararam vivenciar sobrecarga e isolamento social. No âmbito econômico, o relatório estima que, entre 2020 e 2050, o câncer poderá gerar perdas equivalentes a aproximadamente 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) global, considerando os efeitos das mortes prematuras e da redução da produtividade decorrente da doença. A OMS e a IARC destacam que investimentos em prevenção e controle do câncer apresentam elevado retorno econômico. Cada dólar aplicado nessas ações pode gerar retorno estimado de US$ 9,50. As organizações defendem a ampliação da cobertura universal em saúde, o fortalecimento das políticas de prevenção, investimentos na formação de profissionais, expansão da proteção social e maior equidade no acesso aos avanços científicos e aos tratamentos. As decisões adotadas ao longo desta década serão determinantes para reduzir a incidência da doença e diminuir as desigualdades no atendimento oncológico nas próximas gerações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.