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13/Jul/2026

Incerteza global reduz o apetite por investimentos

Segundo levantamento da Câmara de Comércio Internacional (ICC), elaborado em parceria com a Oxford Economics, a intensificação da incerteza no cenário econômico global poderá reduzir em mais de US$ 380 bilhões os investimentos empresariais em 2026. O valor representa quase o dobro dos US$ 202 bilhões estimados para 2025 e constitui o maior impacto já registrado pela pesquisa, superando os efeitos observados durante a crise financeira de 2008 e no início da pandemia de Covid-19. O estudo mostra que a incerteza passou a representar a principal preocupação para 74% das câmaras de comércio consultadas em 2025, superando inclusive os impactos associados às tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

O ambiente de maior imprevisibilidade tem provocado adiamento de contratos, redução de investimentos e postergação de decisões de contratação por parte das empresas, elevando os custos para a atividade econômica global. Os efeitos variam entre países e regiões. Economias com grandes mercados internos, como Brasil e Índia, apresentam maior capacidade de absorver parte dos choques externos. Ainda assim, o relatório estima que, em 2025, a incerteza reduziu os investimentos no Brasil em aproximadamente 1,5%, o equivalente a cerca de US$ 4 bilhões. Esse montante corresponde a aproximadamente um terço da retração dos investimentos registrada durante a pandemia em 2020. Para 2026, a avaliação é de que o impacto sobre o Brasil deverá permanecer semelhante.

O relatório destaca que a resposta dos investimentos domésticos ao aumento da incerteza costuma ocorrer com defasagem, distribuindo seus efeitos ao longo de vários trimestres. Dessa forma, os resultados anuais de 2026 tendem a subestimar o custo acumulado, com reflexos negativos que poderão se estender de forma mais significativa até 2027. Embora o mercado interno ofereça proteção parcial, o Brasil permanece vulnerável ao ambiente de incerteza comercial por depender da atração de investimentos externos. O estudo também projeta que, caso o sistema global de comércio continue se deteriorando, a América Latina poderá registrar desaceleração entre 25% e 30% nos fluxos comerciais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.