10/Jul/2026
O Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 81% a probabilidade de o El Niño atingir a categoria de muito forte entre outubro e dezembro de 2026. A agência também estima em 97% a chance de o fenômeno permanecer ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, correspondente ao outono no Brasil. A atualização representa uma mudança em relação às projeções anteriores, quando ainda havia incertezas sobre a intensidade do evento. Segundo a NOAA, o El Niño já está estabelecido, com avanço do aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial e fortalecimento da interação entre oceano e atmosfera, condição considerada fundamental para o desenvolvimento de episódios mais intensos.
Caso as projeções se confirmem, este poderá figurar entre os mais fortes desde o início da série histórica, em 1950. Os indicadores oceânicos reforçam esse cenário. O índice Niño-3.4, principal referência para monitoramento do fenômeno, atingiu +1,2°C na última medição semanal, ante +0,4°C em maio. Outras regiões do Pacífico também apresentaram aquecimento, com o índice Niño-4 em +0,5°C e o Niño-1+2, próximo à costa da América do Sul, em +2,7°C. A NOAA também identificou aumento do calor acumulado nas camadas subsuperficiais do oceano, impulsionado pela passagem de uma onda Kelvin, que favorece a intensificação do aquecimento das águas. Além das alterações oceânicas, a agência observa mudanças consistentes na circulação atmosférica, incluindo modificações nos ventos, aumento das chuvas sobre o Pacífico central e redução da nebulosidade sobre a Indonésia. Esses sinais caracterizam o acoplamento entre oceano e atmosfera, elemento que sustenta a expectativa de fortalecimento do fenômeno ao longo dos próximos meses.
Para o Brasil, a consolidação de um El Niño muito forte amplia os riscos climáticos para a safra 2026/27. Historicamente, o fenômeno favorece excesso de chuvas na Região Sul, elevando o risco de enchentes, erosão e doenças nas lavouras, enquanto provoca períodos de estiagem, irregularidade das precipitações e temperaturas elevadas em áreas do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Matopiba, com potencial de reduzir a produtividade de culturas como soja, milho, café e outras commodities agrícolas. A NOAA ressalta, entretanto, que os impactos variam entre os diferentes episódios de El Niño e dependem da interação com outros fatores climáticos regionais. Ainda assim, em um contexto de aquecimento global, eventos de maior intensidade aumentam a probabilidade de ocorrência de extremos climáticos, com reflexos sobre a produção agrícola, a oferta de alimentos e os mercados internacionais de commodities. Fonte: G1. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.