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10/Jul/2026

Crédito Rural: desembolso recua na safra 2025/26

Os desembolsos das linhas tradicionais de crédito rural somaram R$ 338,9 bilhões na safra 2025/26, encerrada no fim de junho, representando queda de 12% em relação ao ciclo anterior e marcando a segunda temporada consecutiva de retração nas liberações de recursos. O recuo ocorreu em um ambiente de maior endividamento dos produtores, aumento da percepção de risco pelas instituições financeiras e impactos decorrentes de adversidades climáticas e financeiras sobre o setor agropecuário. Os recursos destinados ao custeio recuaram 13%, totalizando R$ 181,3 bilhões. As operações para investimentos diminuíram 17%, para R$ 84,9 bilhões, enquanto os financiamentos para comercialização caíram 25%, alcançando R$ 37,8 bilhões. Em sentido contrário, os desembolsos para industrialização cresceram 54%, somando R$ 34,9 bilhões. Os dados são do Banco Central.

A redução concentrou-se principalmente entre os grandes produtores rurais, que contrataram R$ 210,1 bilhões em crédito rural, volume 19% inferior ao registrado na safra anterior. A menor utilização das linhas oficiais reflete, em parte, a crescente utilização das Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumento de financiamento privado. Até maio, as emissões desses títulos totalizavam R$ 185,1 bilhões, com expectativa de fechamento entre R$ 200 bilhões e R$ 210 bilhões ao final da safra. Entre os agricultores familiares e médios produtores, os desembolsos apresentaram crescimento. As operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) somaram R$ 67,4 bilhões, alta de 3%, enquanto o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) liberou R$ 61,4 bilhões, avanço de 5% sobre a temporada anterior. O resultado da safra também incorpora aproximadamente R$ 47 bilhões em operações de renegociação de dívidas rurais autorizadas pela Medida Provisória nº 1.314/2025. Ainda assim, o volume desembolsado ficou cerca de 20% abaixo dos R$ 421,8 bilhões registrados na safra 2023/24.

Os dados também indicam mudanças na participação das instituições financeiras na concessão do crédito rural nas duas últimas safras. Houve redução da participação dos bancos públicos, de 29%, e dos bancos privados, de 25%, enquanto as cooperativas de crédito ampliaram sua atuação em 15%. A retração dos financiamentos de custeio reforça a crescente participação das CPRs no financiamento da atividade agropecuária. Embora esses títulos tenham sido incorporados ao volume total anunciado no Plano Safra, especialistas observam que as CPRs constituem instrumentos privados de captação de recursos e não operações de crédito rural registradas como empréstimos pelo Banco Central. Na safra 2026/27, o governo também passou a incluir R$ 38,5 bilhões de programas independentes, não originados das fontes tradicionais de crédito rural, na composição dos recursos anunciados para o Plano Safra.

Representantes do setor avaliam que a maior seletividade das instituições financeiras elevou a exigência de garantias e direcionou parte dos produtores ao mercado privado de financiamento, que também apresenta condições mais restritivas diante do atual cenário econômico. A combinação de juros elevados, aumento do endividamento, volatilidade cambial, tensões geopolíticas e restrições financeiras tem levado produtores a adotar maior cautela na condução da safra. Segundo entidades do setor, esse ambiente já influencia o planejamento da produção, com redução de investimentos, adoção de pacotes tecnológicos mais conservadores, postergação de projetos de expansão e, em alguns casos, diminuição da área plantada. O cenário também reforça a preocupação com a limitação das ferramentas disponíveis para gestão de riscos, fator considerado relevante para a sustentabilidade financeira da atividade agropecuária. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.