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10/Jul/2026

Brasil: baixa escolaridade amplia perda econômica

O Brasil possui atualmente 63,9 milhões de pessoas com mais de 15 anos fora da escola e sem conclusão da educação básica, enquanto a Educação de Jovens e Adultos (EJA) atende apenas 1,5% desse público potencial. O cenário indica avanço da exclusão educacional entre adultos e impactos econômicos prolongados, com perda estimada de R$ 66 bilhões por ano em renda devido à baixa escolaridade. Os dados integram relatório divulgado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, iniciativa formada por 16 organizações da sociedade civil, que analisa os efeitos da redução da escolarização da população adulta em meio ao processo de envelhecimento demográfico. Segundo o levantamento, a geração nascida entre 1960 e 1980 possui uma janela aproximada de dez anos para retornar aos estudos ainda em idade economicamente ativa. Após esse período, grande parte desse contingente deverá ultrapassar os 65 anos, reduzindo as possibilidades de reinserção escolar e produtiva.

Desde 2012, a demanda potencial pela EJA caiu 16%, passando de pouco mais de 75 milhões de pessoas para cerca de 64 milhões. No entanto, apenas 8% dessa redução ocorreu pela conclusão da educação básica, enquanto 51% está relacionada à mortalidade dos potenciais estudantes. Aproximadamente 30% do grupo passou a ser atendido de alguma forma por iniciativas educacionais. O estudo destaca que a redução do número de pessoas elegíveis para a EJA não representa melhora dos indicadores educacionais, mas reflete principalmente o envelhecimento da população e a saída definitiva do sistema educacional de milhões de brasileiros que não concluíram a formação básica. A exclusão escolar gera impactos permanentes sobre o mercado de trabalho, a arrecadação tributária e as políticas públicas. O relatório aponta que o número de municípios sem turmas de EJA mais que dobrou entre 2008 e 2024, ampliando as dificuldades de acesso à modalidade.

A ausência de escolarização também aumenta a vulnerabilidade social, pois parcela significativa desse público está inserida no mercado informal e poderá depender futuramente de políticas de assistência, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A menor capacidade de contribuição tributária amplia os custos sociais suportados pelo conjunto da população. A legislação brasileira reconhece a EJA como um direito educacional há mais de duas décadas. Em 2000, o Conselho Nacional de Educação estabeleceu que a modalidade possui funções reparadora, equalizadora e qualificadora. As diretrizes operacionais mais recentes reforçaram que a EJA deve ser tratada como parte do direito à educação ao longo da vida, e não apenas como uma etapa compensatória. Apesar desse reconhecimento, a oferta enfrenta limitações práticas. Três em cada quatro matrículas da EJA no ensino fundamental e duas em cada três no ensino médio estão concentradas no período noturno, o que dificulta a participação de trabalhadores informais, profissionais com jornada noturna e pessoas responsáveis pelo cuidado de familiares.

O relatório identifica diferentes perfis entre os potenciais estudantes da EJA. O primeiro grupo é formado principalmente por pessoas com mais de 50 anos sem instrução ou com até quatro anos de estudo, que tiveram menor acesso à educação formal e foram afetadas por fatores como trabalho infantil e necessidade precoce de contribuir para a renda familiar. Outro grupo reúne adultos de 30 a 59 anos que frequentaram entre cinco e nove anos de estudo, mas não concluíram o ensino fundamental. Já o público com ensino médio incompleto concentra-se principalmente entre pessoas de 18 a 39 anos que avançaram na trajetória escolar, mas interromperam os estudos antes da conclusão. A pesquisa aponta que, sem uma estratégia capaz de reintegrar adultos que abandonaram a escola e reduzir a evasão entre os jovens, o contingente de brasileiros com baixa escolaridade continuará sendo renovado. Além dos efeitos econômicos, a falta de escolarização amplia dificuldades no acesso a serviços básicos em um ambiente de crescente digitalização.

Pessoas com menor formação enfrentam obstáculos para utilizar plataformas digitais, emitir documentos, acessar serviços públicos e se proteger contra fraudes. Para reduzir o problema, a Rede EJA defende políticas públicas direcionadas por território, com prioridade para regiões onde a exclusão escolar permanece mais elevada. As Regiões Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de adultos sem educação básica completa, frequentemente acima de 50%, mas também existem áreas críticas no interior das Regiões Sudeste e Centro-Oeste. A comparação entre Estados deve considerar diferenças demográficas e que mesmo as unidades federativas com maior oferta proporcional de EJA atendem menos de 4,5% da demanda potencial. Entre as medidas recomendadas estão a ampliação de vagas, flexibilização de horários, estratégias de permanência dos estudantes, redes de apoio como oferta de creches para filhos de alunos da EJA e acompanhamento por indicadores baseados no número absoluto de pessoas que concluem a educação básica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.