10/Jul/2026
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz registrou forte retração após a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, com queda no número de embarcações que utilizam uma das principais rotas globais para transporte de petróleo, gás e commodities. Dados da Bloomberg indicam que 14 navios carregados com commodities atravessaram o Estreito em um único dia, abaixo da média diária de 34 embarcações registrada desde o início do cessar-fogo em junho. Ao mesmo tempo, o Irã acelerou a saída de cinco superpetroleiros e um navio Suezmax, transportando aproximadamente 11 milhões de barris de petróleo, diante de ameaças de novos bloqueios dos Estados Unidos contra portos iranianos. Levantamento da Reuters aponta que a navegação chegou a níveis próximos da estagnação, com apenas dois petroleiros atravessando Ormuz nas primeiras horas de quarta-feira (08/07). Entre eles estava o navio Berg 1, que transportava produtos iranianos provenientes da Ilha de Kharg e está sujeito a sanções norte-americanas, segundo dados de monitoramento marítimo.
A instabilidade também levou operadores a adotarem medidas para reduzir a exposição dos navios, incluindo o desligamento de sistemas de localização, estratégia conhecida como modo sombra. Esse movimento dificulta a mensuração precisa do fluxo marítimo e exige revisão dos dados de movimentação na região. Segundo a Lloyd’s List Intelligence, foram registrados 576 trânsitos pelo Estreito de Ormuz em junho, acima dos 233 registrados em maio, mas significativamente abaixo dos 3.131 observados no mesmo período do ano anterior. Durante o mês, o fluxo chegou a atingir pico diário de 58 navios em 24 de junho. Dos trânsitos registrados em junho, 264 embarcações saíram do Estreito e 137 entraram na rota marítima. Entre os navios estavam graneleiros, petroleiros e transportadores de gás, com parte das embarcações mantendo sistemas de localização ativos e outra parcela operando em modo sombra. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que o tráfego permanece reduzido, com embarcações utilizando tanto as rotas controladas ao norte do Irã quanto o corredor marítimo ao sul de Omã.
A movimentação acompanhada pelos Estados Unidos continua ocorrendo, apesar do ambiente de tensão e do monitoramento realizado pela Guarda Revolucionária do Irã (IRGC). O órgão britânico mantém alerta sobre a presença de minas explosivas na região e recomenda cautela para embarcações que operam no entorno do estreito. Outras áreas marítimas do Oriente Médio, como Golfo Pérsico, Golfo de Omã e Mar Arábico, permanecem com navegação mais estável, embora sob monitoramento. Os níveis de alerta marítimo permanecem elevados em Ormuz, classificado como severo, enquanto o Golfo de Áden apresenta risco substancial e o Mediterrâneo Oriental permanece em nível baixo de alerta. A redução do tráfego também afetou o mercado de seguros marítimos. Corretoras especializadas em cobertura de riscos de guerra e subscritores registraram menor procura por novas cotações após a intensificação das tensões no Oriente Médio, refletindo a cautela dos operadores diante da incerteza sobre a segurança da rota. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.