08/Jul/2026
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a ocorrência de um episódio muito forte de El Niño em 2026 poderá reduzir entre 7% e 10% a produção brasileira de soja, milho, café e laranja. As projeções foram elaboradas com base em eventos climáticos semelhantes registrados nas últimas décadas e divulgadas durante mesa-redonda promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS). O fenômeno ainda permanece em fase de monitoramento e somente no fim de julho será possível confirmar se o atual episódio evoluirá para a categoria de El Niño muito forte. Enquanto o El Niño forte está associado a um aumento de aproximadamente 1,0°C a 1,5°C na temperatura média do Oceano Pacífico Equatorial, um evento muito forte corresponde a anomalias iguais ou superiores a 2,0°C.
Os principais impactos sobre a agricultura brasileira tendem a se intensificar a partir de setembro, com redução gradual entre janeiro e fevereiro, combinando temperaturas elevadas e alterações na distribuição das chuvas. Não há evidências científicas que relacionem diretamente as mudanças climáticas ao aumento da intensidade dos episódios de El Niño. Entretanto, esses eventos têm ocorrido com maior frequência nos últimos anos. Medidas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa podem contribuir para reduzir parte dos impactos associados ao fenômeno. Nesse contexto, ressalta-se a importância da preservação da vegetação, especialmente em Mato Grosso, onde as ondas de calor têm se intensificado e já provocam prejuízos à pecuária. Cerca de 2% dos recursos do Plano Safra são destinados a sistemas produtivos voltados à captura de carbono. Estados e municípios precisam ampliar sua participação no planejamento para enfrentamento de eventos climáticos extremos, por meio do mapeamento de riscos e da elaboração de planos de contingência para secas e enchentes.
Grandes produtores, em geral, apresentam maior capacidade de adaptação, enquanto pequenos e médios agricultores permanecem mais vulneráveis. Entre as alternativas apontadas está a ampliação do uso de seguros paramétricos, modalidade que prevê indenização automática quando determinados indicadores climáticos, como volumes de chuva acima ou abaixo de limites preestabelecidos, são atingidos. Dados compilados pela FGV com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2020, 72% dos municípios brasileiros não possuíam planos de prevenção a enchentes em seus planos diretores. No caso da seca, o percentual era ainda maior, com 78% dos municípios sem planos específicos de contingenciamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.