08/Jul/2026
A onda de calor que atinge os Estados Unidos e o sul da Europa intensificou os impactos das altas temperaturas sobre a população e os ecossistemas, provocando mortes, incêndios florestais de grandes proporções e novos recordes de temperatura. Nos Estados Unidos, cerca de 160 milhões de pessoas permanecem sob alertas de calor intenso ou extremo, segundo o Serviço Meteorológico Nacional. No estado de Nova Jersey, autoridades de saúde contabilizaram 19 mortes supostamente relacionadas às altas temperaturas. Grande parte das vítimas foi encontrada em residências sem sistemas de ar-condicionado, enquanto outras estavam em áreas externas ou no interior de veículos estacionados. As autoridades estaduais classificaram o episódio como o período de calor mais intenso registrado na região em mais de 14 anos. Em Atlantic City, também em Nova Jersey, os termômetros atingiram 39,4°C, superando o recorde anterior de 37,8°C estabelecido em 1966.
Nos dias seguintes, as temperaturas alcançaram 40,5°C e 41,1°C, estabelecendo novos máximos históricos para o município. Diante das condições extremas, as autoridades recomendaram que a população permanecesse em ambientes fechados, reforçasse a hidratação e buscasse locais climatizados quando não dispusesse de sistemas de refrigeração em suas residências. Na Europa, a sucessão de ondas de calor favoreceu a ocorrência e a propagação de incêndios florestais em diversos países. Centenas de bombeiros atuam no combate às chamas que já consumiram mais de 20 mil hectares em Portugal, Espanha, França, Grécia e outros países do continente. Na Espanha, as temperaturas chegaram a 43°C, intensificando os incêndios após as ondas de calor registradas em maio e junho, responsáveis por pelo menos 4,7 mil mortes em todo o continente europeu. Na França, um incêndio iniciado durante o fim de semana provocou alterações no percurso da Volta da França e levou ao deslocamento de aproximadamente 10 mil pessoas.
Nas regiões montanhosas dos Pirineus, próximas à fronteira com a Espanha, cerca de 700 bombeiros trabalham no combate a um incêndio florestal fora de controle que já devastou aproximadamente 5 mil hectares. Na Espanha, a Agência Estatal de Meteorologia informou que a onda de calor deverá persistir por vários dias, afetando tanto o sul quanto o norte do país. Na Catalunha, equipes de emergência seguem monitorando focos de incêndio próximos à cidade de Girona. Em Portugal, quatro regiões das áreas norte e central permanecem em alerta vermelho devido às temperaturas elevadas. No município de Vouzela, os incêndios consumiram pelo menos 13 mil hectares de vegetação. As autoridades informaram que o fogo permanece sob combate, embora o risco de propagação tenha sido reduzido. Na Grécia, um incêndio florestal atingiu duas instalações industriais em Tessalônica, levando à evacuação das áreas vizinhas e à orientação para que a população mantivesse portas e janelas fechadas devido à fumaça.
Grandes incêndios também foram registrados na ilha de Hvar, na Croácia, e em Tale, na Albânia. Estudo do grupo científico World Weather Attribution concluiu que as temperaturas recordes observadas durante a onda de calor registrada na Europa em junho teriam sido virtualmente impossíveis sem a influência das mudanças climáticas. Em 2025, a área atingida por incêndios florestais no continente europeu alcançou o recorde de 1.034.550 hectares queimados. Outro estudo, publicado na revista Nature Climate Change indica que o aquecimento global ampliou significativamente a exposição da população mundial ao calor extremo. A parcela de pessoas submetidas a pelo menos um dia de estresse térmico extremo por ano aumentou de 16% para 22% desde a década de 1970. Considerando o crescimento da população mundial, isso representa aproximadamente 1 bilhão de pessoas adicionais expostas a temperaturas extremas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.