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08/Jul/2026

USTR mantém foco técnico em audiência comercial

O primeiro dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação de supostas práticas desleais adotadas no comércio brasileiro ocorreu em ambiente considerado mais técnico e menos tensionado por representantes do setor produtivo brasileiro. Segundo participantes da audiência, os debates transcorreram de forma equilibrada ao longo de sete painéis, com foco em aspectos comerciais e de competitividade, distanciando-se de questionamentos políticos observados na audiência realizada em 3 de setembro do ano passado. As discussões foram conduzidas por autoridades dos departamentos de Agricultura, Tesouro, Trabalho, Saúde e Bem-Estar dos Estados Unidos, que concentraram os questionamentos em temas relacionados à competitividade das cadeias produtivas, agregação de valor para a indústria americana e impactos das exportações brasileiras sobre os preços ao consumidor dos Estados Unidos.

A audiência teve duração aproximada de sete horas, incluindo as apresentações dos participantes e as perguntas formuladas pelo governo americano. De acordo com representantes presentes, as cadeias produtivas passaram a ser analisadas individualmente, elevando o nível técnico das discussões em relação à etapa anterior da investigação. Os Estados Unidos investigam supostas práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. A audiência integra a fase final da investigação conduzida pelo USTR, que deverá divulgar o resultado definitivo após o encerramento das consultas públicas. No relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR recomendou a aplicação de sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil, preservando, entretanto, grande parte dos produtos agropecuários.

A consulta pública será retomada em 7 de julho, às 10h, no horário de Washington, sendo considerada pelo setor produtivo brasileiro uma oportunidade para ampliar a lista de produtos isentos da nova tarifa e reduzir os impactos da medida. Representantes do setor privado norte-americano defenderam a manutenção das importações de diversos produtos agropecuários brasileiros, especialmente em segmentos nos quais os Estados Unidos não possuem autossuficiência ou limitações naturais de produção, como o café. As discussões abordaram a importância dessas importações para o abastecimento da indústria americana, para a estabilidade das cadeias de suprimento e para a contenção dos preços pagos pelos consumidores dos Estados Unidos. Segundo participantes da audiência, não houve questionamentos relacionados à sustentabilidade, qualidade ou sanidade dos produtos agropecuários brasileiros, diferentemente do ocorrido na audiência anterior.

As discussões concentraram-se na análise individual das cadeias produtivas, avaliando os efeitos de eventuais restrições comerciais sobre o suprimento e sobre a indústria americana. Ao mesmo tempo, representantes de setores produtores dos Estados Unidos, principalmente dos segmentos de pecuária e etanol, manifestaram posição favorável à adoção de medidas de proteção contra as importações brasileiras, alegando impactos sobre a competitividade da produção doméstica. Durante os debates, alguns representantes americanos evitaram responder sobre a capacidade de suprimento interno ou de substituição das importações brasileiras por fornecedores de outros mercados, diante da possibilidade de desorganização das cadeias de abastecimento em decorrência de uma nova sobretaxa.

As entidades brasileiras destacaram a conformidade trabalhista da produção nacional, a complementaridade entre as cadeias produtivas do Brasil e dos Estados Unidos e a importância dos produtos agropecuários brasileiros para a indústria e para o consumidor americano. O setor argumentou que eventual ampliação das tarifas elevaria os custos ao consumidor dos Estados Unidos e reduziria a eficiência das cadeias de abastecimento. Entre os principais argumentos apresentados, as entidades ressaltaram que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia não restringem o acesso dos Estados Unidos ao tratamento preferencial concedido pelo País. Em relação ao etanol, defenderam que o mercado brasileiro permanece aberto e que as tarifas atualmente aplicadas alcançam todos os fornecedores localizados fora do Mercosul.

Sobre o desmatamento ilegal, o setor reafirmou oposição à prática, destacando que ela compromete a reputação da agropecuária brasileira e não representa a atuação dos produtores rurais. Também foi enfatizado o potencial impacto negativo de uma nova sobretaxa para a economia e para os consumidores norte-americanos. Participaram da audiência, pelo lado brasileiro, representantes da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), da Sociedade Rural Brasileira (SRB), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abepemel). Pelo lado norte-americano, participaram representantes do setor privado e da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que também estiveram presentes na audiência realizada em setembro do ano passado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.