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08/Jul/2026

Brasil lidera alta do IED na América Latina e Caribe

Segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a América Latina e o Caribe receberam US$ 188 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED) em 2025, aumento de 14% em relação ao ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho do Brasil, embora a expansão dos fluxos de capital ocorreu paralelamente à redução dos investimentos destinados à implantação de novos projetos produtivos. O Brasil foi o principal responsável pelo crescimento regional. Os ingressos de investimento estrangeiro direto aumentaram de US$ 63 bilhões em 2024 para US$ 77 bilhões em 2025, posicionando o País entre os cinco maiores destinos mundiais de IED.

O desempenho foi favorecido pelo interesse dos investidores nos setores de commodities e nas atividades relacionadas à transição energética. O relatório também destaca a ampliação da presença de empresas chinesas na América do Sul, com investimentos direcionados aos segmentos de mineração, transmissão de energia elétrica e projetos de geração de energia. Esse movimento fortalece as cadeias globais de suprimento de minerais críticos e de infraestrutura, ampliando a importância estratégica da região para a transição energética. O México permaneceu entre os principais destinos de investimento estrangeiro direto, com entradas elevando-se de aproximadamente US$ 38 bilhões para US$ 41 bilhões em 2025. O resultado foi sustentado pela integração do país às cadeias regionais de produção, especialmente nos setores de manufatura e serviços.

Entretanto, a Unctad observa redução expressiva dos projetos greenfield anunciados no México, cujo valor caiu de US$ 44 bilhões para US$ 24 bilhões, refletindo adiamentos e revisões de investimentos diante das incertezas relacionadas às políticas comercial e industrial. Na Argentina, o valor desses projetos recuou de cerca de US$ 37 bilhões para US$ 1,4 bilhão. Os dez principais destinos concentraram 95% dos fluxos de investimento estrangeiro direto destinados à América Latina e ao Caribe, evidenciando elevada concentração geográfica dos investimentos. Além disso, o valor total dos projetos greenfield anunciados na região caiu aproximadamente um terço, para menos de US$ 120 bilhões. Embora o ingresso de capital tenha aumentado em 2025, houve redução dos recursos comprometidos com a criação de novos ativos produtivos.

O principal desafio da região é converter o interesse dos investidores em projetos capazes de ampliar a capacidade produtiva, diversificar as economias e elevar a geração de valor agregado. investimento estrangeiro direto (IED) global cresceu 6% em 2025, para US$ 1,6 trilhão, interrompendo dois anos consecutivos de queda, mas a recuperação permanece frágil e desigual e sustentada por um número limitado de megaprojetos, sobretudo em infraestrutura ligada à inteligência artificial (IA). Em relatório divulgado nesta terça-feira (07/07), a Unctad alerta que as tensões geopolíticas, a volatilidade das políticas comerciais e a fragmentação econômica continuam restringindo novos investimentos e devem manter o cenário desafiador.

Excluindo fluxos financeiros associados a grandes centros financeiros e hubs de investimento, o avanço do IED foi de 4%. A expansão também se concentrou em economias desenvolvidas, onde as entradas aumentaram 11%, enquanto os países em desenvolvimento registraram crescimento de apenas 2%. Os investimentos estão cada vez mais direcionados a setores considerados estratégicos, como semicondutores, IA, energia limpa e minerais críticos, que responderam por quase metade dos projetos greenfield anunciados em 2025. Em contrapartida, países menos desenvolvidos e economias de renda média-baixa atraíram menos de 10% desses projetos, ante mais de 20% nas demais atividades. Há uma mudança estrutural na lógica dos investimentos internacionais.

Por décadas, o capital seguiu custo e eficiência. Hoje, o investimento segue cálculo estratégico e política industrial. Nesse ambiente, governos ampliam incentivos e medidas voltadas à segurança econômica, enquanto empresas reorganizam cadeias de suprimentos em função de riscos geopolíticos e comerciais. Apesar do ambiente mais desafiador, a reconfiguração das cadeias globais de produção abre oportunidades para parte das economias em desenvolvimento, sobretudo como novos polos industriais e de processamento de minerais críticos. No entanto, aproveitar esse movimento exigirá investimentos em infraestrutura, qualificação da mão de obra, tecnologia e fortalecimento institucional, além de maior cooperação internacional para evitar que a concentração dos fluxos de capital amplie as desigualdades entre países. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.