07/Jul/2026
O governo federal intensificou o monitoramento dos potenciais impactos do fenômeno El Niño sobre o agronegócio brasileiro, com foco em medidas preventivas para reduzir riscos à produção agropecuária e mitigar possíveis pressões sobre a inflação dos alimentos. A estratégia envolve o fortalecimento de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, além da adoção de ações coordenadas entre diferentes ministérios. A mobilização ocorre diante da expectativa de formação de um episódio forte de El Niño entre julho e setembro, período em que aumentam as probabilidades de ondas de calor, estiagens e chuvas intensas. O cenário pode comprometer a produtividade da safra 2026/27, cujo plantio das principais culturas terá início em setembro.
Na última semana, o Ministério da Agricultura instituiu um grupo de trabalho para avaliar os impactos do fenômeno sobre a agropecuária. O colegiado será responsável por identificar vulnerabilidades regionais e setoriais, propor estratégias de adaptação e mitigação, além de elaborar um plano de ação voltado às principais culturas, entre elas soja, milho, trigo, feijão, café, cana-de-açúcar e mandioca. O grupo conta com a participação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Além da avaliação técnica, o grupo deverá subsidiar decisões do governo sobre eventuais remanejamentos ou suplementações orçamentárias para enfrentar os efeitos do fenômeno. Entre as prioridades está o fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco ao produtor, especialmente o seguro rural.
A equipe agrícola do governo avalia que poderá haver espaço para recomposição do orçamento destinado à subvenção ao prêmio do seguro rural, atualmente reduzido para R$ 473,8 milhões após contingenciamento superior a 53% dos recursos previstos para 2026. A discussão sobre o tema foi retirada do lançamento do Plano Safra 2026/27 para ser incorporada às medidas específicas relacionadas aos impactos climáticos. Segundo o Ministério da Agricultura, a prioridade é garantir condições para que os produtores mantenham o plantio da nova safra, em um cenário marcado por elevado endividamento, preços pressionados das commodities e maior insegurança climática. A preocupação também se estende ao potencial impacto do El Niño sobre os preços dos alimentos, agravado pela elevação dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes, em função das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O avanço dos preços dos alimentos já vem contribuindo para a inflação ao consumidor. Até junho, o grupo Alimentação e Bebidas acumulava alta de 3,45% no IPCA-15, reforçando a preocupação do governo com possíveis efeitos adicionais sobre o custo de vida. No âmbito da agricultura familiar, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) estuda obter recursos para formar brigadas de combate a incêndios em assentamentos da reforma agrária, especialmente na Região Norte, utilizando recursos do Fundo Amazônia. A pasta também discute mecanismos para ampliar a formação de estoques públicos de alimentos e aperfeiçoar contratos de opção para reduzir oscilações de preços. O governo também acompanha os possíveis impactos sobre o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), destinado a pequenos e médios produtores.
Embora o orçamento previsto para indenizações em 2026, de R$ 6,6 bilhões, seja considerado suficiente no momento, a evolução das condições climáticas continuará sendo monitorada, já que eventos extremos costumam elevar significativamente os desembolsos do programa. Na área econômica, o Ministério da Fazenda já incorporou o risco de um episódio forte de El Niño em suas projeções macroeconômicas. No último Boletim Macrofiscal, a Pasta destacou que o fenômeno, aliado ao encarecimento dos fertilizantes, poderá afetar a safra de 2027, pressionando a inflação dos alimentos. Em consequência, a projeção oficial para a inflação em 2027 foi elevada de 3,0% para 3,5%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.