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07/Jul/2026

Setor industrial: possível impacto de tarifa dos EUA

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4.187 produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos poderão ser afetados caso o governo norte-americano adote duas novas propostas de tarifas sobre bens brasileiros. O conjunto desses produtos corresponde a aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações e está atualmente sujeito à tarifa adicional temporária de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial dos Estados Unidos, em vigor até 24 de julho. As medidas em discussão envolvem uma investigação específica sobre o Brasil, que poderá resultar em tarifa adicional de 25%, e outra investigação relacionada a trabalho forçado, da qual o Brasil também faz parte e que poderá impor sobretaxa de 12,5%. Caso ambas sejam implementadas, os produtos brasileiros estarão sujeitos a um acréscimo de 27,5% em relação à tributação atual, elevando a tarifa total para 37,5%.

Segundo a CNI, aproximadamente 62% dos produtos potencialmente afetados são bens intermediários utilizados como insumos em processos industriais. Entre os principais itens exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano sujeitos à nova tributação, o País ocupa a posição de principal fornecedor dos Estados Unidos em 11 produtos. A entidade avalia que o aumento das tarifas poderá elevar os custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas norte-americanas, uma vez que diversos produtos brasileiros integram processos industriais nos Estados Unidos e fazem parte de cadeias produtivas consolidadas entre os dois países. Como parte da atuação institucional, a CNI participará da audiência pública marcada para esta terça-feira (07/07), em Washington, sobre a proposta de tarifa adicional de 25% para produtos brasileiros. A entidade será representada pelo embaixador Roberto Azevêdo.

Dos 80 inscritos para participar da audiência, 66 deverão manifestar posição contrária à adoção da medida. A CNI defende que a imposição de novas tarifas não encontra justificativas sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico e sustenta que o diálogo e a cooperação bilateral representam o caminho mais adequado para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Ainda, a CNI trabalha com a expectativa de ampliar o número de produtos brasileiros isentos de tarifas dos Estados Unidos, no âmbito das audiências públicas realizadas nesta semana sobre a adoção de novas medidas comerciais. O objetivo é mitigar os efeitos das potenciais tarifas por meio da inclusão de exceções que reduzam o alcance das medidas em discussão. Alban destacou que, mesmo no cenário mais adverso, com eventual entrada em vigor das tarifas, a estratégia do setor é buscar a ampliação substancial das exceções aplicáveis aos produtos brasileiros.

As medidas em análise decorrem de duas investigações conduzidas pelos Estados Unidos, uma relacionada a práticas comerciais do Brasil e outra vinculada a questões de trabalho forçado em âmbito global, mas com inclusão do país. O conjunto pode resultar em tarifas adicionais de até 37,5% sobre produtos brasileiros. Cerca de 4.187 tipos de bens exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano podem ser afetados, o que representa aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações. A entidade classifica as possíveis tarifas como excessivas e avalia que o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos pode contribuir para uma revisão das medidas. A CNI reforça a defesa da continuidade do diálogo entre os governos, com base em critérios técnicos e considerando o ambiente geopolítico envolvido nas discussões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.