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07/Jul/2026

Sicoob prevê conceder R$ 70 bi na safra 2026/27

O banco cooperativo Sicoob prevê conceder R$ 70 bilhões em financiamentos agropecuários na safra 2026/27, que começou na última quarta-feira (1º/07) e se estende até 30 de junho do ano que vem. O valor é 17,7% superior ao concedido pelo Sicoob na safra anterior, de R$ 59,5 bilhões. "Vamos continuar avançando no crédito, aquém do que temos avançado até aqui, ainda de maneira contida, mas continuaremos avançando", disse o diretor-presidente do Sicoob, Marco Aurélio Almada. Almada destacou que diante do momento adverso do setor, com inadimplência recorde, pressão dos juros elevados e dos preços baixos, o Sicoob ampliou o crédito ofertado ao setor. "Diante da adversidade do agronegócio alguns agentes retraem o crédito, mas o Sicoob pensa do ponto de vista do produtor que precisa do crédito rural", afirmou. "Há estreitamento de margem do produtor, mas ainda há margem positiva para ele desenvolver a atividade, exceto na cana-de-açúcar. As taxas de juros e preços das commodities não são os melhores para o produtor, mas há rentabilidade", apontou Almada, citando ainda a inadimplência recorde do crédito rural como novidade desse momento de adversidade que o setor enfrenta.

Do montante, o Sicoob espera desembolsar R$ 32 bilhões em linhas de crédito de custeio, 50,7% mais que no ciclo anterior, R$ 18,7 bilhões a investimentos, aumento de 63,6% entre as safras, R$ 4,3 bilhões para comercialização, queda de 4%, R$ 1,9 bilhão para industrialização, retração de 30,5%. O valor restante, de R$ 12,6 bilhões, deve ser liberado em Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPRFs), 34,2% menos na comparação entre as safras. Em relação ao porte dos produtores, R$ 11,5 bilhões dos recursos do Sicoob devem ser destinados a pequenos produtores em operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), aumento de 39% entre as safras. Outros R$ 15,8 bilhões devem ser concedidos em operações do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), alta de 47,7%. Para demais produtores, a previsão é de aumento de 5,4% na concessão, a R$ 42,7 bilhões. Em relação às atividades produtivas, a expectativa é de que a agricultura concentre a maior parte do crédito projetado, em torno de R$ 27,8 bilhões (40%), seguida pela pecuária, com cerca de R$ 19,5 bilhões (28%), além de uma parcela sem direcionamento específico, estimada em R$ 22,7 bilhões (32%).

Diretor de Desenvolvimento Comercial e de Negócios do Sicoob, Marcelo Carneiro apontou que a demanda do produtor rural por crédito segue forte. "Vamos perseguir um crescimento de quase 18% em um contexto desafiador, mas no qual a cooperativa conhecendo o cooperado tem condição de entender as necessidades e levar crédito na medida certa", observou. O Sicoob espera operar R$ 19,44 bilhões em recursos equalizados pelo Tesouro na safra 2026/27. O volume, se confirmado, será 35% superior à fatia obtida na safra passada de R$ 14,37 bilhões. "Fomos atendidos em quase todas as linhas solicitadas, principalmente em custeio e comercialização. Houve cortes em algumas linhas de investimento em relação ao que pedimos, o que deve ter ocorrido também com demais instituições financeiras, mas no geral tivemos um crescimento aderente às nossas fontes ", afirmou o gerente da Representação Institucional em Agronegócios, Raphael Santana. Entre recursos controlados e livres, o banco cooperativo vai oferecer R$ 70 bilhões em crédito na safra.

O pedido do Sicoob foi de R$ 22 bilhões em recursos equalizados. A projeção do Sicoob se baseia nos comunicados do Tesouro às instituições financeiras, mas o resultado do leilão dos recursos equalizados entre os agentes financeiros será conhecido em portaria publicada pela Secretaria do Tesouro Nacional. No total, 27 instituições financeiras vão operar o crédito equalizado na safra 2026/27. Ao todo, o Plano Safra 2026/27 terá R$ 141,4 bilhões em recursos equalizados pelo Tesouro para agricultura familiar e empresarial. O valor é 10% inferior ao ofertado na temporada anterior. Do montante de recursos com taxas de juros subvencionadas pelo Tesouro nesta temporada, R$ 97 bilhões irão para equalização das linhas voltadas a médios e grandes produtores, e outros R$ 44,4 bilhões foram destinados para equalização dos financiamentos direcionados aos agricultores familiares. O superintendente Financeiro do Sicoob, Tobias Fragoso, destacou que o crescimento no Plano Safra dos recursos livres diante dos controlados é estratégia do governo para ampliar as fontes de recursos ao setor.

"Recurso livre é importante na política pública e nas instituições financeiras, bem como os controlados são relevantes pelas taxas controladas. A tendência é de que os recursos livres avancem cada mais ante os controlados", apontou. Fragoso também comentou sobre o aumento da exigibilidade de 6% na safra 2025/26 para 13% no ciclo 2026/27 do porcentual obrigatório de recursos de depósitos à vista que devem ser o pelas cooperativas de crédito para o crédito rural. "É um desafio que atinge todas as instituições financeiras, mas a nossa projeção é de cumprimento dos porcentuais", disse. O Sicoob vê uma baixa exposição da carteira de crédito rural aos potenciais efeitos do fenômeno climático El Niño, que pode atingir a nova safra brasileira de grãos em alta intensidade. "O cenário de El Niño tende a ser mais crítico em áreas nas quais o Sicoob não tem forte atuação. No Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, por exemplo, a atuação do banco é recente e a exposição da carteira não é alta", afirmou Raphael Santana. O banco prevê liberar R$ 70 bilhões em financiamentos ao longo da safra.

Atualmente, a carteira de crédito rural do banco, que alcançou R$ 100 bilhões, está concentrada em Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Rondônia, São Paulo e Goiás. "São Estados que não devem ter muitos problemas nessa safra decorrentes de El Niño. Mas a oferta de R$ 70 bilhões em crédito para a safra já considera problemas climáticos e eventualmente prejuízos em algumas áreas. O crescimento da oferta poderia ser até maior em ano de ausência de El Niño", ponderou. O superintendente financeiro, Tobias Fragoso, acrescentou que o banco cooperativo estabeleceu reserva de funding para eventuais impactos de El Niño e que vai monitorar o fenômeno climático durante a safra. "Há uma fatia já prevista para possíveis operações de renegociação de crédito rural, que podem ocorrer em virtude do El Niño", apontou. O Sicoob também vai estruturar ofertas próprias de seguro rural e de máquinas aos produtores rurais. Fonte: Broadcast Agro.