07/Jul/2026
O banco cooperativo Sicoob liberou R$ 59,5 bilhões em financiamentos agropecuários na safra 2025/26, que terminou na última terça-feira (30/06). O valor é 6,9% superior aos R$ 55,4 bilhões liberados pelo Sicoob na safra anterior 2024/25. Os números foram apresentados em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira, em Brasília. "A liberação ficou R$ 500 milhões abaixo dos R$ 60 bilhões anunciados. Faltou pouco para cumprir o anunciado", disse o diretor-presidente do Sicoob, Marco Aurélio Almada. Do total, o Sicoob liberou R$ 21,4 bilhões para as linhas de custeio. Outros R$ 11,5 bilhões foram aportados em linhas de investimento, alta de 37,1% entre as safras. Para comercialização, o Sicoob desembolsou R$ 4,6 bilhões na safra, enquanto o volume para industrialização foi de R$ 2,7 bilhões. A cifra envolvendo Cédulas de Produto Rural Financeira (CPRFs) e recursos para giro rural foi de R$ 19,3 bilhões.
Em relação ao porte dos produtores, R$ 8,2 bilhões foram aportados em financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf, aumento de 29,6%), R$ 10,7 bilhões em operações do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp, avanço de 7,4%) e R$ 40,5 bilhões a demais produtores, aumento de 3,1%. Em relação às atividades financiadas, 28% dos recursos foram destinados à pecuária, com destaque para a bovinocultura; 40% à agricultura, com foco em soja e café; e 32% a operações de CPRF em diversos produtos. Entre as principais culturas financiadas na safra, R$ 9,5 bilhões foram liberados em financiamentos para a cadeia de bovinos, R$ 5,2 bilhões envolvendo café, R$ 3,4 bilhões para soja. Outros R$ 35,3 bilhões foram financiados em empréstimos ao produtor rural, aplicados na atividade rural sem delimitação específica. O tíquete médio das operações firmadas pelo Sicoob na safra foi de R$ 305 mil, contemplando produtores de diferentes perfis e portes.
Almada destacou que a carteira de crédito rural do Sicoob superou R$ 100 bilhões. "Dado o momento desafiador do setor, no qual o principal financiador retrai a oferta, o Sicoob mantém o atendimento perene ao agronegócio", disse Almada. Com o desempenho da safra, o Sicoob alcançou market share entre 7% e 7% no crédito rural. Considerando as CPRs, o percentual sobe a 9%. O Sicoob viu a inadimplência da sua carteira de crédito rural crescer de 0,8% em 2022 para 2,1% ao fim da última safra. O movimento acompanha o cenário de endividamento crescente dos produtores rurais e de taxas de inadimplência recorde nos empréstimos rurais no setor bancário nacional. O indicador considera pagamentos em atraso há pelo menos 90 dias. "A inadimplência do crédito rural sempre foi historicamente baixíssima. Há quatro safras era 0,7% e agora finalizamos 2025/26 com inadimplência a 2,1%. É uma inadimplência nunca registrada pelo Sicoob em crédito rural", afirmou o gerente da Representação Institucional em Agronegócios, Raphael Santana.
Os pedidos dos produtores rurais por prorrogação das operações de crédito rural dispararam. Na safra 2024/25, o Sicoob registrou R$ 960 milhões em renegociações, número que saltou para R$ 1,7 bilhão no ciclo 2025/26. "Houve crescimento da inadimplência e das renegociações, mas ainda estamos em patamar bem-posicionado no mercado dada a presença física e proximidade ao produtor", justificou. A maior taxa de inadimplência, segundo Santana, é observada nas operações de Cédulas de Produto Rural (CPRs). "O que levou a um recuo das cooperativas, de forma geral, nessa carteira para a nova safra", pontuou. Ele citou ainda a expectativa de produtores rurais por alguma medida do governo federal para repactuação das dívidas, o que levou a novos atrasos nos pagamentos em algumas regiões com parte dos produtores aguardando por eventuais benefícios de um alongamento dos empréstimos.
"Participamos das discussões sobre o projeto de lei 5.122/2023, que tramita na Câmara dos Deputados, desde o início e principalmente quando foi votado no Senado. Não é a melhor (medida), mas é a possível em um cenário onde o produtor pode ser contemplado", avaliou. Santana observou que, embora o projeto de lei ainda não tenha tido o trâmite concluído, a maior parte das renegociações vem sendo realizada dentre os instrumentos já previstos no Manual de Crédito Rural. "Se o produtor precisa, renegociamos. Mesmo que possa gerar algum prejuízo financeiro, é importante que os produtores tenham medida deferida", disse, mencionando movimento expressivo de pedidos de renegociação no último mês da safra. O superintendente Financeiro do Sicoob, Tobias Fragoso, destacou que a inadimplência está projetada dentro da ambição do Sicoob em ofertar R$ 70 bilhões em crédito para a safra, aumento de 18% ante o ciclo anterior. "Está tudo dentro do nosso planejamento. Vamos perseguir os R$ 70 bilhões em desembolso", observou.
Quanto ao apetite do produtor por recursos para financiar a safra, os executivos apontam que os juros seguem como inibidor da demanda. "Embora as taxas controladas do Plano Safra 2026/27 tenham caído, são juros considerados ainda elevados para o crédito rural. Mas o produtor rural precisa de crédito e, com a queda dos juros, esperamos que haja aumento nos recursos liberados", apontou Fragoso. "Juros altos significam despesa financeira para os tomadores de crédito. Sabemos que não são todos segmentos do agronegócio que possuem margens elevadas para sustentar o impacto do aumento dos custos", ponderou. O governo reduziu as taxas de juros aplicadas entre 0,5% e 1,5% na maior parte das linhas do Plano Safra 2026/27, anunciado na semana passada, dada a queda da Selic que passou de 15% ao ano a 14,25% em um ano. De acordo com Fragoso, os cortes nas taxas ficaram em linha com o previsto pelo banco. "Além disso, operamos abaixo do texto em diversas linhas", acrescentou. Na agricultura familiar, os juros variam de 0,5% ao ano a 7,5% ao ano, enquanto na agricultura empresarial, as taxas serão de 8% ao ano a 12,5% ao ano. Fonte: Broadcast Agro.