06/Jul/2026
As negociações para um acordo comercial entre Mercosul e Japão, atualmente em fase inicial, apresentam potencial para beneficiar aproximadamente US$ 1,7 bilhão, equivalente a 18,4% da pauta de exportações brasileiras, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Os principais segmentos com potencial de expansão incluem alimentos e bebidas, ferroligas e óxidos de alumínio. A entidade considera a iniciativa estratégica para ampliar a inserção do Brasil no comércio internacional e fortalecer a competitividade da indústria nacional. No fluxo de importações, cerca de US$ 4,6 bilhões em produtos provenientes do Japão poderão ser contemplados com redução ou eliminação de tarifas, abrangendo itens como peças automotivas, veículos, máquinas e equipamentos. A medida poderá reduzir os custos de produção da indústria brasileira, ampliando o acesso a insumos, tecnologias e bens de capital. Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Japão movimentou US$ 11,54 bilhões.
O avanço das negociações poderá ampliar o comércio, estimular investimentos e fortalecer a integração do Brasil às cadeias globais de valor em um cenário de reconfiguração das relações comerciais internacionais. Atualmente, produtos brasileiros como minério de ferro, café, carne suína, alumínio em formas brutas e álcool etílico já acessam o mercado japonês com isenção tarifária. A expectativa é que um eventual acordo amplie as oportunidades para outros segmentos da pauta exportadora brasileira. Os principais ganhos para a indústria poderão ocorrer tanto pela ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado japonês quanto pela redução dos custos de insumos, máquinas e tecnologias importadas do Japão, contribuindo para elevar a competitividade da produção nacional. Entretanto, o mercado japonês apresenta elevado grau de exigência, tornando necessária a preparação das empresas brasileiras para atender aos requisitos comerciais e técnicos.
Além dos efeitos sobre o comércio, a aproximação entre os dois mercados poderá estimular investimentos, inovação, iniciativas voltadas à bioenergia e à descarbonização, além de promover um ambiente de negócios mais competitivo e previsível para empresas de ambos os países. A indústria de transformação e a agropecuária tendem a concentrar os maiores benefícios decorrentes de futuras reduções tarifárias, uma vez que representam cerca de 81,8% dos produtos com potencial para receber tratamento preferencial no acordo. A Fiemg também destaca o potencial de fortalecimento dos investimentos bilaterais. Em 2025, o estoque de investimentos entre Brasil e Japão alcançou US$ 27,9 bilhões, sendo US$ 27,8 bilhões referentes a investimentos japoneses no Brasil, concentrados principalmente na indústria de transformação e no comércio automotivo. O aprofundamento da parceria poderá contribuir para a modernização da indústria brasileira, incorporação de novas tecnologias e aumento da competitividade do País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.