06/Jul/2026
O comando militar conjunto do Irã determinou que todos os petroleiros que transitarem pelo Estreito de Ormuz utilizem exclusivamente as rotas aprovadas pelo Irã, sob risco de resposta militar imediata em caso de descumprimento. A medida amplia as tensões em torno da principal hidrovia para o abastecimento global de energia e ocorre em meio às negociações para um acordo definitivo destinado a encerrar o conflito na região. O comunicado do comando militar Khatam al-Anbiya foi divulgado pela televisão estatal iraniana na quinta-feira (02/07), um dia após representantes do Irã e dos Estados Unidos participarem de reuniões com mediadores no Catar.
Embora a motivação da nova advertência não tenha sido detalhada, a manifestação ocorreu após o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) informar a realização de encontro no Bahrein com representantes de países do Oriente Médio, no qual foi reafirmado o compromisso com a livre circulação do comércio pelo Estreito de Ormuz. Segundo o comunicado iraniano, qualquer embarcação que descumpra as rotas designadas ou os protocolos de navegação estabelecidos pela República Islâmica do Irã estará sujeita a resposta imediata das Forças Armadas, com potencial comprometimento da segurança dos navios envolvidos.
O governo iraniano também reiterou que eventual interferência das forças norte-americanas na hidrovia será respondida de forma rápida e decisiva. Como parte de um acordo provisório, Irã e Estados Unidos concordaram em permitir, por 60 dias, a passagem de embarcações sem cobrança de tarifas. No entanto, o Irã mantém a posição de controlar as rotas utilizadas pelos navios e implementar posteriormente a cobrança de taxas pela travessia, alterando uma prática adotada há décadas no Estreito. Os Estados Unidos e diversos países árabes do Golfo mantêm posição contrária à cobrança de tarifas para a navegação no Estreito de Ormuz.
Paralelamente, uma iniciativa de Omã e de uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para estabelecer uma nova rota próxima ao litoral omanense elevou as tensões regionais, após ataques registrados em diferentes pontos do Oriente Médio na semana passada. Apesar do aumento dos riscos geopolíticos, o fluxo marítimo na hidrovia apresentou recuperação. Dados da Lloyd’s List Intelligence indicam que 258 embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz na semana passada, período que incluiu ataques iranianos contra dois navios comerciais. Na semana anterior, haviam sido registradas 138 embarcações. A empresa de inteligência marítima destaca que as definições das rotas continuam sendo revisadas continuamente, conforme evoluem as autorizações políticas e as avaliações de segurança na região. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.