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03/Jul/2026

Plano Safra 2026/27 não traz alívio aos produtores

Segundo o Itaú BBA, o Plano Safra 2026/27 não trouxe alívio relevante para médios e grandes produtores rurais. Os recursos subsidiados seguem concentrados no pequeno produtor, sem alteração significativa no volume ou nas condições de crédito destinadas aos demais elos da cadeia produtiva. Nesse contexto, o ambiente de financiamento ao agronegócio permanece condicionado por restrições estruturais e pela elevada seletividade na concessão de crédito. O cenário interno não tem permitido uma redução consistente no custo financeiro do setor, o que mantém pressão sobre investimentos, especialmente em segmentos mais dependentes de financiamento, como máquinas agrícolas. A ausência de uma solução estruturada para o seguro rural foi apontada como uma das principais lacunas do programa, sendo considerada um ponto de fragilidade na política de apoio ao produtor. Além disso, as condições gerais de taxas de juros não apresentaram melhora significativa, o que contribui para a manutenção de um ambiente de crédito mais restritivo.

A projeção é de continuidade da seletividade na concessão de crédito ao agronegócio. No entanto, essa seletividade é associada à avaliação da qualidade da gestão das propriedades rurais, e não à exclusão automática de produtores mais alavancados. O critério central passa a ser a capacidade de gestão de risco, fluxo de caixa e disciplina comercial. Como exemplo, o banco cita diferenças relevantes de comercialização de soja em uma mesma região, com vendas realizadas em níveis distintos de preço, variando de patamares acima de R$ 135,00 por saca de 60 Kg a valores abaixo de R$ 100,00 por saca de 60 Kg, refletindo estratégias distintas de gestão de risco e comercialização. Nesse ambiente, o banco reforça que sua atuação está voltada à reestruturação financeira e à construção de soluções de desalavancagem, com possibilidade de alongamento de prazos em casos específicos, desde que haja coerência na gestão do negócio.

Por outro lado, operações que impliquem aumento direcional de risco em um contexto de margens pressionadas e maior incerteza climática são consideradas fora do apetite de crédito. O Itaú BBA projeta crescimento de cerca de 10% em sua carteira agro em 2026, em termos ajustados por variação cambial. O avanço é sustentado principalmente pela demanda por financiamento em cadeias ligadas à expansão de capacidade industrial, como esmagamento de soja para biodiesel e produção de etanol de milho, além de operações de barter e crédito para insumos. O banco também destaca que eventos climáticos adversos são recorrentes no setor agrícola brasileiro e não têm alterado estruturalmente a política de crédito da instituição, reforçando a abordagem de gestão de risco como elemento central na concessão de financiamentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.