03/Jul/2026
O Sicredi vai ofertar R$ 72,1 bilhões aos produtores rurais na safra 2026/27 (julho a junho), volume distribuído em cerca de 340 mil operações. De acordo com informações divulgadas pela instituição financeira cooperativa, o valor representa um aumento de 4,4% em relação ao ciclo anterior, no qual foram concedidos R$ 69 bilhões em aproximadamente 320 mil operações. Com uma carteira de crédito do agronegócio que totaliza R$ 121 bilhões em saldo, a entidade se mantém como a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no País. O sistema tem perto de 10 milhões de associados e atuação em todo o território nacional. Do total previsto para o novo ciclo 2026/27, o planejamento da cooperativa indica a liberação de R$ 27,6 bilhões para operações de custeio, R$ 15,4 bilhões para investimentos e R$ 2 bilhões para comercialização e industrialização, entre outras linhas.
O Sicredi prevê ainda a concessão de R$ 18 bilhões em créditos por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR). Adicionalmente, R$ 9 bilhões correspondem a operações de crédito em moeda estrangeira (linhas dolarizadas) direcionadas a produtores ligados à cadeia de exportação. Para a agricultura familiar, serão ofertados R$ 13,3 bilhões. Para os produtores de médio porte, o montante destinado será de R$ 14,6 bilhões. Os pequenos e médios produtores concentram 88% do total de operações previstas para a nova temporada. Aos demais produtores, serão disponibilizados R$ 17,1 bilhões. A atuação junto ao BNDES registrou, no ano de 2025, um total de R$ 11,2 bilhões em liberações por meio da instituição financeira cooperativa, com a destinação de R$ 8,6 bilhões exclusivamente ao setor do agronegócio. O Sicredi projeta uma expansão de 57% na liberação de crédito em moeda estrangeira para a safra 2026/27, com o montante estimado em R$ 9,1 bilhões.
Os dados foram detalhados pelo superintendente de Agronegócio da instituição, Vitor Moraes, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (02/07), em São Paulo. "É uma linha que vem bastante ao encontro da necessidade do produtor, que está buscando custos mais baixos sem deixar de financiar a sua atividade", disse Moraes. Segundo ele, quando comparada à taxa Selic, a linha em moeda estrangeira representa cerca de 70% da taxa de juros do indicador. O executivo ressaltou que a contratação exige cuidados por causa da volatilidade do câmbio, influenciado por movimentos geopolíticos. A linha é recomendada para produtores que têm receita em dólar e exportadores, com a necessidade de alinhar o prazo de vencimento do crédito ao momento do recebimento dos recursos. "Mesmo tendo receita em dólar, se tiver uma diferença muito grande de tempo, a variação cambial pode destruir todo aquele ganho que a gente proporcionou na taxa de juros", alertou o superintendente.
A instituição informou atuar na estruturação das operações atreladas ao fluxo de caixa para mitigar esse risco. O volume direcionado às linhas dolarizadas apresenta crescimento nas últimas safras. No ciclo 2024/2025, a instituição liberou R$ 4 bilhões nesta modalidade, valor que subiu para R$ 5,8 bilhões no período 2025/26 antes de atingir a projeção atual. O Sicredi informou estar confortável em relação à disponibilidade de recursos para o financiamento de custeio da safra 2026/27, mesmo diante de avaliações de oferta de crédito subsidiado inferior em relação à temporada anterior. Segundo Vitor Moraes, embora o volume total de recursos do plano governamental tenha sido anunciado, o rateio exato via leilão ainda não foi definido. No entanto, a expectativa do Sicredi é ser atendido "quase que integralmente" pela política pública, em um cenário que pode registrar menor apetite por parte de outros concorrentes do mercado financeiro. O executivo informou, ainda, que a oferta de crédito é sustentada por uma composição flexível entre recursos controlados e livres, ajustada conforme a necessidade dos produtores.
No fechamento do ciclo anterior, a divisão na carteira do sistema ficou estabelecida de forma equilibrada, com 52% de recursos controlados e 48% de recursos livres. Moraes destacou que eventuais oscilações nas linhas equalizadas são compensadas por um leque diversificado de fontes alternativas para o custeio das lavouras. Entre as opções que dão suporte ao planejamento da entidade, o superintendente citou a expansão de 57% nas linhas de crédito dolarizadas, as emissões de Cédula de Produto Rural (CPR) e o direcionamento de recursos via fundos constitucionais. Ainda, o Sicredi encerrou o Plano Safra 2025/26 com a liberação de R$ 69 bilhões em financiamento rural, volume que representa um aumento de 11,5% em relação ao ciclo anterior 2024/25. Um dos destaques do financiamento foi o montante liberado para linhas contratadas em dólar, que responderam por R$ 5,8 bilhões do total ofertado na temporada 2025/26, encerrada em 30 de junho. Esse segmento registrou um crescimento de 45% na comparação com a safra anterior.
A carteira de crédito total da instituição cooperativa voltada ao setor agropecuário alcançou R$ 120 bilhões. Nas operações com recursos oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as liberações da instituição somaram R$ 11,2 bilhões no ano de 2025, com a destinação de R$ 8,6 bilhões especificamente para o agronegócio. A carteira total acumulada de repasses com o banco de fomento atingiu R$ 37 bilhões. Os repasses por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) somaram R$ 2,1 bilhões no período analisado. Já as operações estruturadas com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), direcionadas a Estados como Minas Gerais e Espírito Santo, totalizaram R$ 516 milhões. Fonte: Broadcast Agro.