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03/Jul/2026

Brasil-EUA: indústria brasileira prepara argumentos

A indústria brasileira vai defender, em audiência pública marcada para a próxima segunda-feira (06/07), que o novo tarifaço proposto pelos Estados Unidos tende a prejudicar mais a própria economia americana do que o Brasil. O processo é conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da Seção 301. O argumento central das entidades é de que a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob alegação de prejuízos a empresas dos Estados Unidos no Brasil, não se sustenta sob as óticas jurídica, econômica e estratégica. A avaliação será apresentada por entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com representação do embaixador Roberto Azevêdo. Também participam associações setoriais como Abicalçados, Abimaq e Sindifer, que defendem a exclusão de seus produtos da medida. No lado norte-americano, empresas de setores como vestuário, calçados e aço também se inscreveram para a audiência.

Paralelamente, está prevista outra audiência no dia 7 de julho, relacionada a um processo que pode impor tarifa adicional de 12,5% a países acusados de uso de trabalho forçado na produção de bens exportados aos Estados Unidos. Nas manifestações enviadas ao USTR, entidades brasileiras defendem que o país mantém avanços em áreas como combate à pirataria e ao desmatamento, além de argumentarem que o Brasil não concede vantagens tarifárias relevantes que prejudiquem os EUA. Segundo a Fiesp, a tarifa média efetiva aplicada pelos brasileiros a produtos norte-americanos é de 2,6%, com uso de regimes especiais de isenção. O setor industrial também sustenta que os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos são majoritariamente insumos industriais, matérias-primas e bens de capital, muitas vezes integrados a cadeias produtivas entre filiais e matrizes. Nesse contexto, o aumento de tarifas funcionaria como um custo adicional direto à própria indústria americana, com potencial repasse ao consumidor final.

A Amcham, que reúne empresas com operações nos dois países, acrescenta que barreiras ao comércio com o Brasil podem redirecionar compras para outros fornecedores, com destaque para a China, já presente como principal origem em parte relevante das importações norte-americanas. Ainda, o pré-candidato do PL à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (RJ) enviou nesta quinta-feira (02/07), uma manifestação ao USTR na qual pede a suspensão imediata da tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras. Ele argumenta que a pressão tarifária, em vez de constranger o governo, fortalece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu projeto de reeleição em outubro. A proposta do governo de Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros decorre de uma investigação conduzida com base na Seção 301, que aponta supostas práticas desleais e discriminatórias do Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro ao USTR afirmando que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quer se “submeter aos interesses” norte-americanos com entreguismo. O presidente Lula chamou de “mais uma atitude de traidores da Pátria” o pedido do senador para que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros seja adiada para depois da eleição presidencial brasileira. O presidente disse ainda que a soberania brasileira é inegociável e que o Brasil não está à venda. O presidente também criticou Flávio Bolsonaro, afirmando que um eventual fim do Mercosul seria um “ataque ao interesse do povo brasileiro”. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.