03/Jul/2026
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação 2025, a Pnad TIC, o percentual de usuários da internet no Brasil atingiu a marca de 168,7 milhões no quarto trimestre de 2025 ou 90,5% da população de 10 anos ou mais de idade. Os números indicam continuidade do crescimento desde 2016, mas com redução da diferença de utilização entre residentes em áreas rurais e urbanas. Essa foi a primeira vez que o patamar de usuários, na média nacional, ultrapassou os 90%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (02/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a 2024 (89,2%), houve variação de 1,3%. A frequência diária de uso abrange 95,6% da população. Embora a utilização seja menor entre os residentes em áreas rurais, houve uma expansão de 1,9% nesse grupo populacional entre 2024 e 2025, enquanto houve uma variação de 1,2% no uso entre a população de áreas urbanas.
Em relação a 2019, enquanto o percentual cresceu 8,0% nas áreas urbanas, a expansão foi de 28,5% entre os residentes no campo. Por outro lado, 17,7 milhões de pessoas não utilizaram a rede no período de referência, o que corresponde a 9,5% das pessoas de 10 anos ou mais de idade. Em 2024, eram 10,8% da população (20 milhões de pessoas), e 20,6% no ano de 2019 (36,7 milhões). A Região Centro-Oeste (93,6%) se manteve com a maior proporção de pessoas que utilizaram a internet, seguida pelas Regiões Sul (91,7%) e Sudeste (90,9%). As Regiões Norte (89,7%) e Nordeste (88,5%) permaneceram com resultados inferiores, mas com uma tendência de redução das disparidades regionais ao longo da série histórica. Entre 2019 e 2024, as Regiões Norte e Nordeste tiveram uma elevação do porcentual de usuários da internet de 19,9% e 18,7%, respectivamente.
No País, o rendimento médio mensal real per capita nos domicílios em que havia utilização da internet (R$ 2.312,00) foi 75,7% maior do que o rendimento nos que não a utilizavam (R$ 1.316,00). Três motivos se destacam para que a rede não fosse usada em 4 milhões de casas: nenhum morador sabia usar a internet (36,5%), o serviço era caro (25,9%) e falta de necessidade (25,2%). O Brasil alcançou a marca de 167,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais que tinham telefone celular para uso pessoal no quarto trimestre de 2025, o que correspondia a 89,8% da população dessa faixa etária. Nesse contingente, 98,1% tinham acesso à internet por meio do aparelho. A presença do aparelho no cotidiano atingiu o maior patamar desde o início da série histórica, em 2016, quando 77,4% da população tinha telefone celular. Em 2025, no entanto, 19,1 milhões de pessoas não tinham o aparelho. Nas áreas rurais, a expansão foi ainda mais acentuada, passando de 54,6% de pessoas com aparelho celular, em 2016, para 79,3%, em 2025.
Nas áreas urbanas, na mesma base de comparação, o patamar passou de 81,2% para 91,1%. Os resultados de 2025 da Pnad TIC indicam, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2016, o possível fim do declínio no percentual de domicílios com microcomputador. No total de 80 milhões domicílios pesquisados, aqueles em que havia o item eletrônico representavam 38,5%, em 2024, e 38,7%, em 2025. Em números absolutos, a quantidade de domicílios com computador caiu de 2016 até 2019, mas desde então está apresentando crescimento e registrou, em 2025, o maior quantitativo da série. O rendimento médio nos domicílios que contavam somente com tablet (R$ 1.799,00) era menor do que naqueles em que havia somente microcomputador (R$ 3.015,00) e alcançou R$ 5.298,00 nos que possuíam ambos os eletrônicos. Segundo o IBGE, 75,1 milhões de lares (93,9%) tinham aparelho de televisão em 2025 ante 65 milhões (97,2%) em 2016.
A pesquisa mostra uma tendência de queda do percentual e no número de domicílios com televisão que tinham acesso a serviço de TV por assinatura. Em 2016, eram 33,9%, caindo para 24,3% em 2024, até atingir 23,5% em 2025, o menor valor da série. Em números absolutos, o total de domicílios foi de 17,7 milhões, também o menor valor da série. Em 2025, 220 mil lares a menos contavam com o serviço de assinatura (156 mil nas áreas rurais e 64 mil nas urbanas). Para 26,1% da população, a TV por assinatura é considerada cara e 62,2% dizem não ter interesse no serviço. Ao menos 74,2% dos brasileiros disseram ter usado a internet para acessar bancos e outras instituições financeiras no quarto trimestre de 2025. O uso para esse fim avançou 14,4% entre 2022 e 2025, um aumento de 30,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade. Em relação ao ano imediatamente anterior (71%), a expansão foi de 3,2%. As compras de bens e serviços online também apresentaram expansão, alcançando 52,7% da população.
A atividade teve variação de 10,9% entre 2022 e 2025, significando uma elevação estimada de 22,5 milhões de pessoas que usaram a internet para esse fim. O aumento foi de 4,8% em relação a 2024. Outro destaque em crescimento foi o acesso a serviços públicos via internet, que avançou de 38,6% da população em 2024 para 41,1% no quarto trimestre de 2025. Em relação a 2022, o hábito cresceu 7,9%, o que representa 16,6 milhões de pessoas a mais acessando serviços públicos por meio da internet. Comparado a 2024, também houve crescimento (2,5%). Ainda assim, os principais usos da rede seguem sendo para conversar por chamadas de voz ou vídeo (95,3%). Em 2016, ano inicial desse da série, 73,4% dos usuários da internet afirmaram terem utilizado a rede para esse fim.
A prática de enviar ou receber mensagens de texto e voz (90,2%); assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes (89,3%); usar redes sociais (84,9%); ouvir músicas, rádio ou podcast (83,7%); ler jornais, notícias, livros ou revistas (69%); enviar ou receber e-mails (61,2%); jogar (29,8%); e vender ou anunciar bens ou serviços (11,6%) são os outros usos mais comuns aos brasileiros. O uso de redes sociais foi um pouco mais frequente entre as mulheres (85,8%) em relação aos homens (83,8%). Em 2025, o uso de redes sociais entre estudantes (86,7%) era um pouco maior em comparação aos não estudantes (84,4%). No entanto, observou-se uma queda do percentual de estudantes que usavam redes sociais, o que se deve à retração observada entre aqueles do ensino fundamental, tanto da rede pública quanto privada. Nessa etapa escolar, 74% dos alunos das escolas públicas e 73,5% das privadas usavam as redes sociais em 2025 ante a 76,7% e 76,9%, respectivamente, um ano antes.
A partir de 2025, houve restrição de uso de celulares nas escolas e o ECA Digital, além da discussão de segurança das crianças nas redes. Tudo isso pode estar relacionado a esse retrato. O envio ou recebimento de e-mails, a realização de compras ou encomendas de bens ou serviços pela Internet e o uso da rede para acessar serviços públicos apresentam variações regionais acentuadas. Em 2025, enquanto menos da metade dos usuários da internet na Região Nordeste (49,1%) relataram ter enviado ou recebido e-mails, tal proporção alcançou 68% dos usuários nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Em relação a comprar ou encomendar bens ou serviços, o percentual variou de 35%, na Região Norte, a 61,6%, na Região Sudeste. A Região Nordeste (30,6%) foi a que apresentou o menor percentual de pessoas que usam a internet para acessar serviço públicos, enquanto a prática é relatada por 48,1% na Região Centro-Oeste e 46% na Região Sudeste. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.