02/Jul/2026
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou a posição do Brasil como referência em agricultura sustentável, inovação e descarbonização durante a London Climate Action Week 2026, realizada entre 16 e 22 de junho, em Londres, no Reino Unido. A missão oficial apresentou políticas públicas, tecnologias e oportunidades de investimento voltadas ao fortalecimento de sistemas agroalimentares de baixa emissão de carbono e ampliou a cooperação internacional em temas estratégicos para o setor. A delegação brasileira, liderada pelo secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, participou de encontros com representantes de governos, organismos internacionais, instituições de pesquisa, empresas e investidores para discutir inovação, financiamento climático, fertilizantes sustentáveis e segurança alimentar.
Durante a programação, o Brasil destacou iniciativas que conciliam aumento da produtividade, conservação ambiental e desenvolvimento tecnológico. Na agenda sobre fertilizantes, o Mapa apresentou as diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que busca ampliar a produção doméstica, diversificar fornecedores e reduzir a dependência das importações, atualmente superiores a 90% do consumo nacional. Também avançaram as discussões com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (DEFRA) para implementação do memorando de entendimento firmado em 2025 sobre fertilizantes verdes e tecnologias de nutrição vegetal. O mercado brasileiro de bioinsumos também foi destacado como um dos mais desenvolvidos do mundo.
Segundo o Mapa, o setor movimenta aproximadamente US$ 6,5 bilhões por ano, reúne mais de 1.200 produtos registrados e cresce, em média, 12% ao ano. Durante os debates, foram apresentadas tecnologias voltadas à eficiência no uso de nutrientes, fertilização sustentável e redução das emissões de carbono na produção agrícola. A recuperação de áreas degradadas e a agricultura de baixa emissão de carbono também integraram a agenda da missão. O Mapa apresentou o Programa Caminho Verde, iniciativa voltada à conversão de pastagens degradadas em sistemas produtivos sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O programa integra a estratégia nacional de recuperação de até 40 milhões de hectares e de mitigação de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente até 2030.
O potencial da agricultura brasileira atraiu interesse de investidores internacionais durante encontros promovidos no Climate Innovation Forum e em reuniões com representantes do Fórum Econômico Mundial (WEF). O Ministério apresentou o programa Eco Invest Brasil como instrumento para mobilizar capital privado destinado à recuperação de áreas degradadas, expansão da agricultura de baixo carbono e adoção de tecnologias sustentáveis. A missão também abordou os desafios da adaptação da agropecuária às mudanças climáticas. Em eventos promovidos pela Chatham House e pela Embaixada da Dinamarca, representantes brasileiros destacaram o papel da inovação, da irrigação eficiente e da gestão dos recursos hídricos para fortalecer a resiliência das cadeias agroalimentares.
O Mapa ressaltou ainda que o Brasil preserva cerca de 66% de seu território com vegetação nativa e responde por aproximadamente 25% das exportações mundiais das principais commodities agropecuárias. Entre os resultados apresentados estiveram os avanços do Plano ABC+, política pública voltada à adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono. Segundo o Ministério, a iniciativa contribuiu para a mitigação de aproximadamente 170 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na última década e tem como meta incorporar 52 milhões de hectares em sistemas sustentáveis até 2030, com potencial de mitigação de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. A programação incluiu ainda a participação do Mapa na London Olive Oil Competition, na qual azeites brasileiros conquistaram dez premiações, reforçando o avanço da olivicultura nacional e a competitividade do setor no mercado internacional. Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.