01/Jul/2026
Segundo o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), o elevado endividamento do setor agropecuário pode reduzir a efetividade do Plano Safra 2026/27, independentemente do volume de recursos disponibilizado para o crédito rural. A avaliação considera que o principal desafio do programa está na capacidade dos produtores de acessar novos financiamentos, e não apenas no montante de R$ 525 bilhões destinado à agricultura empresarial. Parte significativa dos produtores enfrenta restrições financeiras decorrentes da combinação entre queda dos preços das commodities, aumento dos custos de produção e perdas provocadas por eventos climáticos extremos. Esse cenário tem limitado a contratação de novas operações de crédito, mesmo com recursos disponíveis nas linhas do Plano Safra. As dificuldades atingem tanto operações contratadas a taxas de mercado quanto financiamentos com recursos direcionados.
Com base em dados do Banco Central, aproximadamente R$ 140 bilhões em operações de crédito rural apresentam algum tipo de problema, incluindo inadimplência, atrasos, renegociações e alongamentos de prazo. Também se observa aumento dos pedidos de recuperação judicial e dos leilões de propriedades rurais oferecidas como garantia das operações. Parte desse quadro decorre de fatores conjunturais, como a volatilidade dos preços das commodities e a elevação dos custos de fertilizantes em decorrência de conflitos internacionais. No entanto, os impactos das mudanças climáticas são considerados um desafio estrutural, exigindo investimentos permanentes em sistemas produtivos mais resilientes. Nesse contexto, o Imaflora defende a ampliação dos recursos destinados ao Plano ABC+, voltado ao financiamento de práticas de agricultura de baixa emissão de carbono.
Essa linha historicamente representa cerca de 5% do volume total de recursos do Plano Safra, percentual considerado insuficiente diante da necessidade de ampliar investimentos em descarbonização e em sistemas produtivos menos vulneráveis aos efeitos da escassez ou do excesso de chuvas. Entre as iniciativas apontadas como prioritárias estão a recuperação de pastagens degradadas, a restauração de áreas florestais, o combate ao desmatamento e a adoção de práticas de agricultura regenerativa. A avaliação é de que o aumento gradual da participação do Plano ABC+ no crédito rural poderá contribuir para elevar a produtividade, reduzir riscos climáticos e fortalecer a resiliência das propriedades. O Imaflora também considera que instrumentos de reconhecimento da produção sustentável, como a taxonomia verde, podem ampliar o acesso dos produtores a mercados diferenciados e estimular bancos e investidores a direcionarem recursos para empreendimentos com melhores indicadores socioambientais.
Em relação ao seguro rural, o aumento dos recursos destinados à subvenção pode aliviar parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores no curto prazo. Entretanto, essa medida não elimina os desafios estruturais, uma vez que a intensificação dos eventos climáticos extremos tende a elevar continuamente o custo das apólices, tornando a política de subsídios cada vez mais onerosa. A adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis representa um mecanismo de proteção de longo prazo para a atividade agropecuária, ao contribuir para reduzir a vulnerabilidade climática e preservar os serviços ecossistêmicos essenciais à produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.