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01/Jul/2026

Plano Safra 2026/2027 reduz verba para o custeio

Segundo a Aprosoja Brasil, o Plano Safra 2026/27 amplia o volume total de recursos destinados ao crédito rural, mas reduz o montante disponível para as operações de custeio, comercialização e industrialização. O volume total do programa passou de R$ 516 bilhões, no ciclo 2025/26, para R$ 525,1 bilhões em 2026/27. No entanto, os recursos destinados ao bloco custeio, comercialização e industrialização recuaram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma redução de R$ 29,8 bilhões. Em contrapartida, o novo Plano Safra traz redução das taxas de juros em praticamente todas as principais linhas de financiamento. No Pronamp, as taxas caíram da faixa de 10,5% a 12% para até 9%. No custeio empresarial, os juros passaram de 8% a 12% para um intervalo entre 6% e 9%, com possibilidade de desconto adicional de até 1% para produtores que adotarem práticas ambientais.

As linhas de investimento voltadas à aquisição de máquinas, armazenagem e energia renovável também registraram reduções, em geral, entre 2% e 3%. Na avaliação da Aprosoja Brasil, a diminuição dos recursos destinados ao custeio foi o principal fator que possibilitou a redução das taxas de juros do crédito rural. O Plano Safra 2026/27 oferece crédito mais barato, mas com menor volume de recursos para o financiamento da produção. O governo tirou volume operacional e reforçou outras áreas, como equalização, sustentabilidade e seguro rural. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) avaliou que o Plano Safra 2026/27 perdeu capacidade de atender às necessidades do setor produtivo, apesar do anúncio de R$ 525,1 bilhões para o financiamento da agropecuária empresarial.

Segundo a entidade, o aumento nominal dos recursos concentrou-se nas linhas de investimento, enquanto o volume destinado ao custeio e à comercialização, considerado fundamental para o ciclo produtivo, foi reduzido em relação à safra anterior. O Plano Safra destinará R$ 384,9 bilhões para custeio e comercialização, redução de R$ 29,8 bilhões em comparação aos R$ 414,7 bilhões disponibilizados no ciclo 2025/26. Os recursos para investimento somam R$ 140,2 bilhões. Na avaliação da entidade, o acréscimo de aproximadamente R$ 9 bilhões no volume total do programa, equivalente a 1,7%, não recompõe a inflação acumulada de 4,4% nos últimos 11 meses, representando uma redução real estimada em R$ 13,6 bilhões na capacidade de financiamento da política agrícola. A Aprosoja-MT considera que o cenário é agravado pelo elevado custo do crédito, pelo maior rigor na concessão de financiamentos e pelas margens pressionadas dos produtores.

A entidade avalia que a redução das taxas de juros em parte das linhas não compensa a diminuição dos recursos destinados ao custeio e à comercialização, responsáveis pelo financiamento do plantio, da condução das lavouras e da comercialização da produção. Antes do lançamento do Plano Safra, a Aprosoja-MT encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária propostas para que o elevado endividamento rural fosse tratado como prioridade da política agrícola. Ampliar o volume nominal de crédito não resolve as dificuldades enfrentadas pelos produtores para acessar novos financiamentos, renegociar passivos e preservar a capacidade de pagamento. No documento encaminhado ao governo em março, a Aprosoja-MT defendeu medidas estruturais voltadas ao reequilíbrio financeiro do setor, com o objetivo de preservar o acesso ao crédito e conter o avanço da inadimplência. A avaliação é que, sem enfrentar o endividamento, parcela significativa dos recursos anunciados tende a ser direcionada à reorganização de passivos, em vez de financiar a produção.

A entidade também destacou os resultados da execução do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2025/26. Entre julho de 2025 e maio de 2026, foram contratados R$ 433 bilhões em crédito rural, excluído o Pronaf, volume 5% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Sem considerar as operações com Cédulas de Produto Rural (CPRs), as linhas tradicionais de crédito recuaram de R$ 286,6 bilhões para R$ 247,8 bilhões, redução de aproximadamente 14%. No mesmo período, as operações com CPR cresceram 8%, alcançando R$ 185,2 bilhões e passando a representar 42,8% do crédito rural concedido, ante participação de 37,4% no ciclo anterior. Esse movimento demonstra maior dependência dos instrumentos privados de financiamento, ampliando a exposição dos produtores às condições de mercado, ao custo financeiro e às exigências de garantias. A entidade também ressaltou a redução observada nas principais linhas de financiamento da produção durante a execução do PAP 2025/26.

Os financiamentos de custeio diminuíram 12,9%, passando de R$ 158 bilhões para R$ 137,5 bilhões, enquanto as operações de investimento recuaram 28,1%, de R$ 64 bilhões para R$ 46,1 bilhões. Programas como Proirriga, Moderfrota, PCA, Prodecoop e RenovAgro também apresentaram retração nas contratações. Outro ponto destacado foi a redução de 47% nos recursos equalizáveis entre julho de 2025 e maio de 2026, que passaram de R$ 91,4 bilhões para R$ 48,9 bilhões. O desempenho indica que as linhas com maior apoio público não acompanharam a demanda do setor. A Aprosoja-MT reconheceu que o Plano Safra 2026/27 amplia instrumentos de gestão de risco, como o Proagro e o seguro rural, ao condicionar a renegociação das operações de custeio à contratação dessas coberturas. Entretanto, a efetividade da medida dependerá da oferta de seguros em volume suficiente, com custos compatíveis e regras adequadas à realidade dos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.