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01/Jul/2026

El Niño amplia riscos para produção agrícola global

Segundo o Bradesco, o fenômeno El Niño pode se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026 e alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras do Brasil, do Sudeste Asiático e da Austrália. As mudanças climáticas poderão influenciar o desempenho de culturas como soja, milho, trigo, cana-de-açúcar, arroz e café. No Brasil, a expectativa é de um inverno com características típicas de anos de El Niño, marcado por maior volume de chuvas na Região Sul e precipitações abaixo da média na Região Norte. Na Região Sul, o excesso de chuva pode dificultar a colheita e comprometer a qualidade do trigo, embora favoreça a recomposição dos reservatórios utilizados na irrigação das lavouras de arroz. Projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam anomalias negativas de precipitação na Região Centro-Oeste a partir de setembro, além da expectativa de temperaturas mais elevadas em todo o País durante o inverno.

O Centro-Oeste é apontado como a região de maior incerteza para a próxima safra. O comportamento das chuvas em anos de El Niño não segue um padrão definido na região. Em episódios de maior intensidade, já foram registrados atrasos no início do período chuvoso, distribuição irregular das precipitações, concentração de chuvas durante a colheita e interrupções no regime pluviométrico no fim do ano, período importante para o desenvolvimento das lavouras. Esse cenário pode afetar principalmente a produção de milho 2ª safra de 2027. O atraso das chuvas pode reduzir a janela de semeadura, comprometendo a área cultivada e o potencial produtivo. Além disso, a irregularidade das precipitações pode aumentar a necessidade de replantio ou levar produtores a reduzir o plantio, elevando os custos de produção. Para a soja, os efeitos tendem a variar conforme a região.

O El Niño normalmente favorece a produtividade no Rio Grande do Sul, enquanto amplia os riscos para as Regiões Norte e Nordeste. Na Região Centro-Oeste, o impacto dependerá da regularidade das chuvas ao longo do ciclo produtivo. Atrasos no início da estação chuvosa podem, em algumas situações, beneficiar a cultura, mas também aumentam os riscos operacionais para os produtores. No cenário internacional, o Bradesco projeta condições mais secas no Sudeste Asiático e na Austrália. Na Índia, a redução das chuvas durante o período das monções pode afetar a produção de cana-de-açúcar. Há riscos para os cafezais da Indonésia e do Vietnã, importantes produtores de café robusta, embora o fenômeno não deva comprometer a expectativa de safra recorde de café no Brasil. Na Austrália, a previsão de inverno mais seco aumenta o risco de queimadas, com possíveis impactos sobre a produção de trigo e a pecuária bovina do país. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.