30/Jun/2026
O governo federal deve anunciar o Plano Safra 2026/27 com novo volume recorde de crédito rural, porém em um cenário de forte pressão orçamentária e restrição fiscal, além de limitações impostas pela trajetória da taxa Selic. A política de financiamento ao setor agropecuário será apresentada amanhã, com expectativa de aumento moderado de recursos e redução contida das taxas de juros. As estimativas em discussão indicam que o volume total de crédito deve ficar entre R$ 610 bilhões e R$ 620 bilhões, acima dos R$ 594,4 bilhões da safra anterior, mas abaixo da proposta inicial da equipe agrícola, que chegava a R$ 650 bilhões. O setor produtivo, por sua vez, pleiteava entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, sem considerar recursos de CPRs com direcionamento obrigatório.
No Plano Safra atual, a agricultura familiar conta com R$ 78,2 bilhões, enquanto o Pronamp dispõe de R$ 69,1 bilhões. A agricultura empresarial soma R$ 258,6 bilhões em crédito direto e R$ 188,5 bilhões em CPRs com direcionamento obrigatório, totalizando R$ 516,2 bilhões para médios e grandes produtores. As taxas variam entre 0,5% e 8% ao ano na agricultura familiar e entre 8,5% e 14% ao ano na agricultura empresarial. Para o novo ciclo, a previsão é de redução moderada das taxas de juros, entre 0,5% e 1%, com maior impacto na agricultura empresarial. Na agricultura familiar, a tendência é de manutenção das taxas nas principais linhas, com ajustes pontuais voltados à produção de alimentos básicos, mulheres rurais e inovação.
O movimento acompanha a queda da Selic, que passou de 15% ao ano há um ano para 14,25% ao ano. Na agricultura empresarial, a meta inicial de juros de um dígito não deve ser atingida devido ao espaço fiscal limitado e ao ritmo mais lento de flexibilização monetária. A equalização de juros segue como principal instrumento de viabilização do crédito rural, com parte relevante do orçamento já comprometido com o ciclo atual. O custo total da subvenção para a próxima safra ainda não está fechado, mas deve superar os R$ 13,5 bilhões do ciclo anterior. O governo também deve ampliar a participação de recursos livres no financiamento, incluindo CPRs com direcionamento obrigatório, linhas dolarizadas e operações via Finep no âmbito do Move Agrícola. Ao mesmo tempo, devem ser mantidos os percentuais de exigibilidade, que obrigam instituições financeiras a direcionar parte dos depósitos ao crédito rural.
Nos bastidores, o processo de definição do Plano Safra foi marcado por atraso nas negociações interministeriais, influenciado pelo debate sobre renegociação de dívidas rurais. A condução das discussões ocorreu em etapa avançada do calendário, sem participação direta da Presidência da República na definição final dos números. O anúncio será realizado no Palácio do Planalto nesta terça-feira (30/06), com apresentação das medidas para a agricultura empresarial pela manhã e divulgação dos dados da agricultura familiar no período da tarde. O pacote deverá ser divulgado sem medidas específicas para seguro rural e renegociação de dívidas, temas ainda em discussão entre as áreas técnica e econômica do governo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.